Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 11/12/2020

O filme, “O Jogo da Imitação”, exibido pela Netflix, retrata a criação do primeiro computador por Alan Turing, durante a Segunda Guerra Mundial. Essa trama, demonstra que, além do feito ter sido de extrema importância momentânea para a vitória dos aliados, ele também foi crucial para o desenvolvimento das gerações futuras àquela. Atrelado a isso, vê-se o rumo tomados pelas sociedades após a democratização da tecnologia, no qual a implementação da telemedicida já é uma realidade e precisa ser debatida. Sob essa ótica, o Brasil deve se atentar à uma possível precarização do sistema de saúde, dado que essa modalidade medicinal abre portas para interesses capitalistas.

Em primeiro plano, ganha particular relevância o modo como a implementação de sistemas tecnológicos é um fator de lucro para empresas. Nessa visão, é possível analisar o contexto da Segunda Revolução Industrial, em que a implantação de novas máquinas substituiu o trabalho de diversos operários e barateou o custo de processo, o que gerou maiores rendas para os proprietários dos meios de produção. Dessa mesma forma, pode-se esperar que a adoção das “tele consultas” em massa reduzirá os gastos de empresas com a manutenção de hospitais, visto que os médicos poderão trabalhar de casa, e gerará desempregos de funcionários desses locais. Assim, proprietários de clínicas, com interesses capitalistas, farão de tudo para tornar essa idéia realidade.

Em segundo plano, cabe ressaltar que a admissão dessas medidas deve ser amplamente debatida em território brasileiro, já que elas podem fragilizar a organização de saúde brasileira. Em vista desse assunto, o Dr. Drauzio Varella, médico, e escritor, afirma em uma entrevista ao podcast “Poucas” que a comodidade de consultas online jamais pode ser substituída pela avaliação de um médico em pessoa, pois o treinamento recebido por este é amplamente baseado na intercomunicação presencial. Dráuzio ainda explana que boa parte dos diagnósticos feitos à distância são falhos e podem culminar em problemas piores no futuro. Portanto, é cabível concluir que a popularização e a adoção definitiva desses métodos de avaliação devem ser suspeitadas e discutidas pela sociedade, para que a qualidade dos serviços ofertados pelas instituições de saúde, de cunho capitalista, não se precarize.

Diante desse cenário, é necessária uma ação que, ciente da urgência em se discutir e solucionar os embates da implementação da telemedicina no Brasil, busque minimizar esse quadro. Cabe ao Poder Legislativo a tarefa de, através da criação e votação positiva a um projeto de lei (PL), definir os limites da medicina virtual em cenário nacional. Esse PL deve garantir que nenhum hospital demita funcionários ou corte gastos devido a efetivação dessa inovação, além de solicitar à essas instituições a divulgação dos riscos da “webconsulta”. Logo, o Brasil estará livre da fragilização do sistema de saúde.