Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 11/12/2020
Sociedade Engrenagem
Plínio Marcos é um dramaturgo brasileiro que trouxe uma peça teatral chamada “A Navalha na Carne”, retratando a marginalização e a precarização da sociedade brasileira. Desse modo, cogitar pensar em uma implementação da telemedicina no Brasil é excluir grande parte da população, visto que muitas pessoas não têm acesso à internet. Sendo assim, a implementação da telemedicina no Brasil seria contra a Constituição e contra os Direitos Humanos, pois seria uma forma excludente de atendimento à saúde.
Em um primeiro plano, vale destacar a necessidade de que o Estado seja inclusivo com os corpos presentes em nossa sociedade diversificada, tendo como base o Artigo 6 da Constituição Federal que assegura saúde, educação e proteção para todo cidadão brasileiro. Tendo isso em mente, o debate sobre uma possibilidade utópica de implementar a telemedicina ataca diretamente a democracia, fazendo assim com que o debate deva ser sobre os possíveis caminhos para a democratização da medicina, para que um dia a telemedicina seja possibilidade.
Ademais, vale salientar que o Estado deve implementar uma democratização da saúde de forma digna. Apesar de no Brasil existir o Sistema Único de Saúde, a manutenção é precária, os hospitais e meios médicos têm os atendimentos e serviços sudateados, como pôde ser visto recentemente com a suspensão de exames como de HIV, aids e hepatite. Essa negligência é reflexo de uma elitização da saúde, visto que isso não ocorreria em hospitais ou meios de saúde particulares.
Torna-se claro, portanto, que, o contexto socioeconômico que o Brasil se encontra e com a precarização do Sistema Único de saúde, o SUS, a implementação da telemedicina se torna possível apenas com questões antecedentes resolvidas. O Estado deve primeiro democratizar a saúde de forma digna para todos, além de garantir que todos cidadãos tenham acesso à internet, por meio do investimento em tecnologia de comunicação, para que as consultas sejam possíveis nos meios mais remotos, como no interior nordestino ou na região norte do país, onde a população sofre de um atraso tecnológico proveniente da negligência do Estado. Resultando assim, em uma sociedade onde a implementação da telemedicina seja possível e democrática por não ser excludente.