Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 05/01/2021

O Ministério da Saúde, devido a pandemia de Coronavírus em 2020, regulamentou o uso de consultas online no Brasil, a fim de evitar aglomeros em hospitais e clínicas. Com isso, o debate sobre a implementação da telemedicina no país foi aberto. Nesse viés, deve-se entender que apesar dos grandes benefícios da prática, como o maior acesso a saúde e a praticidade, ela não será eficiente e coletivizada enquanto a democratização do acesso a internet não acontecer.

Em primeiro plano, cabe ressaltar os diversos benefícios da inserção das inovações na área médica. Dentre eles, tem-se a possibilidade de levar consultas a pessoas de regiões remotas e carentes de profissionais. Nesse âmbito, vale ressaltar que, segundo o IBGE, 35 milhões de brasileiros não têm acesso aos serviços de saúde regulares. Assim, o projeto regulamentado por conta da pandemia pode levar saúde a esses indivíduos, inclusive de forma mais prática e rápida, por não exigir deslocamento até os hospitais.

No entando, tudo isso é uma utopia enquanto o acesso a internet tem tantas falhas no Brasil. Prova disso é que, também segundo o IBGE, 46 milhões de brasileiros não têm acesso a internet no país, ou seja, 11 milhões a mais do que os excluídos da medicina. Assim, como disse o sociólogo Pierre Levy, toda tecnologia cria seus excluídos, o que não foi diferente com a telemedicina. Logo, a única forma de garantir que o método regulamentado seja acessível a toda a população, é democratizando o acesso a internet.

Mediante o exposto, cabe ao Ministério da Saúde junto ao Ministério da Ciência e Tecnologias aumentar o acesso a medicina digital através da expansão do acesso às redes. Isso deve ser feito com o subsídio governamental para os grandes provedores de internet para que a levem às regiões distantes e excluídas. Dessa forma, será possível implementar a telemedicida de forma igualitária a toda a população brasileira.