Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 23/12/2020

A série norte-americana “Diagnóstico”, da Netflix, retrata a expansão da medicina, por intermédio da tecnologia, como forma de potencializar soluções médicas. Fora da ficção, no contexto de pandemia, o avanço tecnológico nessa área é recente, porém problemático. Com isso, é válido analisar o aumento da desigualdade social e o distaciamento na relação médico-paciente que se configuram como desafios na implementação da telemedicina no Brasil.

Diante desse cenário, é de conhecimento geral a incapacidade econômica de comunidades marginalizadas de aderirem à telemedicina, o que fomenta a exclusão social. Segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização é perversa, tendo em vista que exclui determinados grupos no processo, assim como acontece nessa inovação, já que parte dos brasileiros não foram inclusos. Desse modo, é inadmissível que o país, promovedor de saúde para todos, não garanta esse benefício para uma parcela vulnerável da sociedade, que é negligenciada quanto ao direito à saúde.

Paralelo a isso, é evidente o distanciamento entre o profissional e o paciente com o uso da telemedicina.A respeito disso, esses vínculos construídos nesse ambiente contrastam com a realidade encontrada nas famosas séries médicas, como Grey’s Anatomy, na qual a efemeridade das relações no mundo contemporâneo não é verdadeiramente retratada. Além disso, em tempos de pandemia, a alta procura por consulta médica agrava esse cenário. Dessa maneira, é inaceitável que a medicina, promovedora do bem-estar do paciente, esteja perdendo o importante tratamento humanizado a partir da tecnologia.

Em síntese, a desigualdade social e o distaciamento na relação médico-paciente são fatores negativos na implementação da telemedicina no Brasil. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Saúde, responsável pela manutenção da saúde pública, por meio de verbas governamentais, aumentar o número de médicos atuantes nessa área, com o intuito de distribuir essa importante função para não sobrecarregar os funcionários, a fim de otimizar as consultas e ampliar a disponibilidade dessa modalidade para a população. Desse modo, espera-se alcançar e atender os grupos marginalizados e aprimorar o tempo destinado à cada consulta.