Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 18/12/2020

Em abril de 2020, excepcionalmente, a telemedicina foi regulamentada no Brasil, com o intuito de facilitar diagnósticos durante o isolamento social. Nesse sentido, o uso das tecnologias pelos médicos foi fundamental para contornar a situação da pandemia, embora não possa substituir o contato presencial, mas sim, complementá-lo. Desse modo, apesar da comodidade, a telemedicina apresenta aspectos negativos para o país, como a elitização da saúde e a restrição do contato interpessoal.

Sob esse prisma, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet. Sendo assim, esse dado alarmante revela que somente uma parcela do corpo social, privilegiada por dispor dessa rede, pode usufruir da telemedicina, o que torna o recurso pouco democrático. Por conseguinte, tribos indígenas, populações ribeirinhas e periféricas são ainda mais prejudicadas, afinal, além de viverem em locais distantes de hospitais, ainda costumam ser as maiores vítimas da falta de acesso à internet.

Além disso, o projeto “Doutores da Alegria” é reverenciado nacionalmente, ao passo que visa levar conforto e um pouco de diversão para crianças hospitalizadas. No entanto, iniciativas como essa mostram como a medicina virtual restringe o convívio entre profissional e paciente, o qual é fundamental para o sucesso no tratamento de doenças. Por isso, consultas por meio de dispositivos eletrônicos não devem ser as únicas, visto que seriam prejudiciais à saúde emocional do enfermo e reduziriam o necessário contato interpessoal.

Diante do exposto, medidas são necessárias para aprimorar a telemedicina nacional. Para tanto, o Comitê Gestor da Internet no Brasil deve fornecer banda-larga gratuita a toda população, para que ninguém seja privado das consultas online. Ademais, o Conselho Federal de Medicina - autarquia responsável por normatizar a prática médica - deve regulamentar a modalidade após a pandemia. Logo, isso precisa ser feito por meio de uma lei que enquadre a telemedicina como uma forma de saúde complementar, a fim de que não substitua o contato interpessoal. Por fim, essas alternativas fortalecerão a medicina digital após o fim do isolamento social e tornarão a saúde mais democrática e cômoda.