Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 19/12/2020
A Constituição Cidadã de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Sob essa perspectiva, em decorrência da pandemia do Covid-19, o sistema de saúde, como um todo, foi obrigado a se adaptar às novas dinâmicas dessa realidade. Dessa forma, com o objetivo de continuar atendendo a população e de evitar a propagação de doenças, a telemedicina - exercício médico para o atendimento remoto e online - veio como um mecanismo de promover a manutenção dos serviços de saúde para a população. Logo, vê-se a necessidade de analisar os benefícios dessa prática, bem como os desafios oriundos da falta de infraestrutura para o seu pleno exercício.
Em primeira análise, observa-se a tendência atual do serviço remoto de saúde através da internet, por meio de quaisquer dispositivos eletrônicos, como garantia de um eficiente e prático sistema de atendimento. De acordo com a pesquisa feita pelo site Exame, mais de 1,5 milhão de pessoas já se consultaram remotamente, no Brasil, ao longo de 2020. Diante de tal exposto, percebe-se a contribuição da telemedicina, como forma de minimizar os riscos de contaminação da população e a sobrecarga do sistema de saúde do país, haja vista sua dinamicidade, além de seu baixo custo.
Ademais, é fundamental apontar a falta de infraestrutura como um desafio para a implementação da medicina remota. Prova disso, é que em razão da negligência estatal, muitos hospitais da rede pública não dispõem de amplos equipamentos tecnológicos, o que dificulta o fornecimento de consultas virtuais em larga escala. Além disso, destaca-se também a escassez do acesso à internet em regiões mais afastadas dos grandes centros, situação que inviabiliza o atendimento dessas populações. Essa conjuntura, segundo o geógrafo Milton Santos, denomina-se como “globalização perversa”, marcada pela marginalização de determinados grupos em relação aos avanços tecnológicos.
Depreende-se, portanto, a importância de ações públicas para o controle do cenário atual, de modo a assegurar o acesso amplo dos indivíduos à telemedicina. Dessa maneira, cabe ao governo investir em infraestrutura, por meio de maiores recursos disponibilizados para a capacitação dos profissionais da área da saúde, além de promover equipamentos tecnológicos e planos de internet para as regiões mais remotas. Assim, espera-se garantir, a todos os membros da sociedade, uma saúde mais acessível e igualitária durante o período de pandemia.