Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 30/12/2020
Com o advento da Terceira Revolução Industrial, durante a segunda metade do século XX, viabilizou-se o avanço de diversos âmbitos tecnológicos, como a medicina. Nesse sentido, a implementação da telemedicina faz-se necessária tendo em vista a conjuntura hodierna. Contudo, não só a tendência social, oriunda do capitalismo, de enxergar e converter toda a realidade para uma visão de mercado, mas também o difícil acesso a esse tipo de atendimento, de forma homogênea, compromete a possibilidade de executar esse serviço de modo definitivo.
A propensão, em primeira análise, de transformar o crescimento da medicina em uma perspectiva consumista é um grande empecilho ao seu próprio desenvolvimento. Segundo Karl Marx, a sociedade tem em sua base a “infraestrutura”, definida como economia, a qual sustenta e influencia a “superestrutura”, ou seja, todas as outras esferas política, ideológica etc. Sob essa ótica, as inovações tecnológicas no mundo contemporâneo sofrem enorme influência do ramo econômico e, consequentemente, alteram seus propósitos em função de disputa de mercado. Dessa forma, os pacientes deixam de ser vistos como tal e passam a representar meros consumidores em potencial. Ademais, a expansão da medicina evidencia de maneira mais intensa a desigualdade social no país. De acordo com o sociólogo Bauman, o individualismo e a eterna busca por lucratividade conferem a persistência dos abismos da concentração de renda e da pobreza. Sob essa perspectiva, em virtude da visão dos avanços tecno-científicos como produto de consumo, a exclusão da classe pobre é agravada. Desse modo, esse grupo é impedido, a longo prazo, de aproveitar esses serviços voltados à saúde de forma democrática.
Infere-se, portanto, a necessidade da implementação da telemedicina de maneira mais inclusiva. Cabe ao Poder Legislativo, juntamente ao Ministério da Saúde, promover o acesso igualitário a esse método alternativo, por meio de um projeto de leis, o qual integre tal prática ao Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, esse regulamento deve incluir, por exemplo, o fornecimento de computadores ou a elaboração de um aplicativo de atendimento médico público por chamadas de vídeo pelo celular. Essa ação visa a alcançar um ingresso equânime a esse serviço por toda a população. Assim, a sociedade brasileira poderá usufruir verdadeiramente das inovações tecnológicas da medicina que estarão por vir.