Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 28/12/2020

O filme Doutor Estranho, inspirado nas histórias em quadrinhos de Stan Lee, retrata a importância da precisão humana ao manipular instrumentos cirúrgicos durante uma operação médica. Fora das telas, é possível contrapor os avanços tecnológicos da telemedicina com a persistente necessidade do contato entre profissional e paciente, bem como o progresso estrutural que as novas práticas no âmbito da saúde demandam.   Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a tecnologia não é subversiva à medicina. Pelo contrário, a telemedicina é um fator de soma, pois consegue ampliar o atendimento médico. Contudo, sob a ótica de Habermas, tal avanço ainda não é capaz de substituir a ação comunicativa entre o profissional da saúde e o indivíduo que é examinado, pois o contato é fundamental durante a anamnese.

Partindo de outra perspectiva, ainda que a medicina por meios virtuais seja um avanço no quesito da inclusão de áreas remotas, o Brasil possui problemas em relação à infraestrutura, bem como quanto a inclusão digital. Para ilustrar, o geógrafo Milton Santos debate sobre uma globalização perversa, da qual não abrange todas as classes e que se torna um problema ainda maior ao isolar determinadas camadas sociais.

É imprescindível, portanto, que haja a regulamentação adequada dos serviços em pauta. Dessa maneira, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o da Saúde devem promover a criação de plataformas específicas para a prestação da telemedicina, mas sempre frisando a importância da consulta física para problemas mais complexos. Tratando-se de inclusão, é preciso que os órgãos responsáveis pela infraestrutura nacional incentivem parcerias com operadoras de internet, bem como com empresas fornecedoras de equipamentos apropriados nos postos de saúde. Sendo assim, é possível amenizar o que argumentou Milton Santos durante suas análises geopolíticas.