Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Após a eclosão da Revolução Científica e o fortalecimento dos meios de comunicação digitais, diversas inovações foram inseridas no contexto social, gerando diversos desafios adaptativos. Dentre estas, se destaca o debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil. Indubitavelmente, essa nova forma do acesso à saúde deve ser implementada. No entanto, nos dias que correm, sua inserção na sociedade encontra empecilhos na má formação dos profissionais com o trato digital e no baixo grau de investimento do Estado na temática. Sendo assim, as autoridades competentes devem implementar medidas assertivas na reversão desse cenário.
Em primeira análise, ressalta-se a intrínseca relação entre a inabilidade dos profissionais de saúde na execução das plataformas virtuais de telemedicina. Certamente, essa ignorância digital é mais presente na camada mais caduca dos trabalhadores, visto que a nova geração já nasceu inserida no contexto virtual de comunicação. Porém, segundo dados do Conselho Federal de Medicina, dois quartos dos médicos atuantes no Brasil possuem mais de 55 anos. Isto posto, é realçada a necessidade da educação digital da classe médica para a implementação da telemedicina no país.
Em segunda análise, vê-se uma contradição do Estado democrático de direito, ao passo que a saúde é um valor constitucional, porém, atualmente, o baixo investimento aplicado pelos órgãos governamentais não permite o seu acesso por todos os cidadãos do país. Dito isso, é assimilada a frase do pensador francês Michael Foucault “o governo, através da disponibilização de recursos de modo democrático, deve prover os indivíduos das condições básicas para a subsistência”. Absolutamente, a telemedicina democratizará o acesso à saúde no Brasil, porém a sua implementação é diretamente dependente das ações de ações executivas estatais.
Destarte, é mister a resolução de tal problemática pelo Estado. Para tal, urge ao Ministério da Saúde a elaboração de um curso que promova a qualificação dos profissionais brasileiros no trato com as plataformas de telemedicina. É importante destacar que este ensino deve ser disponibilizado em linguagem formal, posto que o seu público alvo se encontra em idade mais avançada. Além disso, o Ministério da Economia, por meio de uma porcentagem do seu orçamento, deve disponibilizar verbas para que a implementação da telemedicina no Brasil seja eficiente na democratização do direito constitucional em questão: o acesso à saúde. Assim sendo, as plataformas digitais promoverão a ampliação da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros.