Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Engrenagem Social
“A Navalha na Carne” é um filme brasileiro que retrata a marginalização e a precarização da sociedade brasileira, especialmente dos corpos subalternos. Desse modo, cogitar pensar em uma implementação da telemedicina no Brasil é excluir parte da população, visto que muitas pessoas não têm acesso à internet justamente por conta de uma marginalização. Sendo assim, a implementação da telemedicina no Brasil é contra a Constituição e Contra os Direitos Humanos, pois seria uma forma excludente de atendimento à saúde, além de uma elitização.
Em um primeiro plano, vale destacar a necessidade de que o Estado seja inclusivo com os coros presentes em uma sociedade diversificada, tendo como base o Artigo 6 da Constituição Federal que assegura saúde, educação e proteção para todo cidadão brasileiro. Tendo isso em mente, o debate de uma possibilidade utópica de implementar a telemedicina ataca diretamente a democracia, fazendo assim com que o debate deva ser sobre possíveis caminhos para a democratização da medicina, para que um dia a telemedicina seja possibildidade.
Ademais, vale salientar que o Estado deve implementar uma democratização à saúde de forma digna. Apesar de existir o Sistema Único de Saúde, a manutenção é precária, os hospitais públicos são sucateados e muitos pacientes têm o atendimento negligenciado, como uma criança de dois anos que faleceu depois de ter o atendimento negado em uma Unidade de Pronto Atendimento, em Itabuna. Essa negligência é reflexo de uma elitização da saúde, visto que isso não ocorreria em hospitais particulares.
Torna-se claro, portanto, que, o contexto socioeconômico que o Brasil se encontra e com a precarização do SUS, a implementação da telemedicina se torna possível apenas com questões antecedentes resolvidas. O Estado deve primeiro democratizar a saúde de forma digna para todos, além de garantir que todos cidadãos tenham acesso à internet, por meio do investimento em tecnologia de comunicação, como torres e satélites, para que as consultas sejam possíveis nos meios mais remotos, como no interior do Nordeste ou na região Norte do pa´s. Resultando assim, em uma sociedade onde a implementação da telemedicina seja possível e democrática por não ser excludente e elitista.