Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Terceira Revolução Industrial trouxe consigo o desenvolvimento do meio técnico-científico. Esse avanço possibilitou o surgimento da telemedicina. Entretanto, essa medicina tecnológica encontra desafios para sua efetivação. Então, cabe analisar como a desigualdade tecnológica e a falta de regulamentação podem interferir nessa nova ferramenta.

Primeiramente, é válido ressaltar que, de acordo com o geógrafo Milton Santos, a globalização atinge o mundo todo, porém não alcança todas as pessoas. Nesse contexto, é notório que, no Brasil, não há uma inclusão tecnológica de todos. Destarte, percebe-se que a implementação da telemedicina fica dificultada, pois para que haja teleatendimentos e telediagnósticos adequados e eficientes é necessário que os usuários do serviço tenham todos os recursos para estarem incluídos no meio digital e, na nação, muitos indivíduos não são contemplados pela tecnologia, devido a desigualdade social. Logo, é importante destacar que a telemedicina deve ser para todos os cidadãos e, não apenas para os que já utilizavam a medicina convencional.

Ademais, outro fator que implica na adesão dessa ferramenta no país é a possibilidade de utilização antiética por parte de médicos e pacientes, visto que ainda não há uma regulamentação que estabeleça como os preços serão cobrados e o que ocorrerá em caso de queda da conexão da internet no meio da realização de uma consulta. Tal ausência de leis abre precedentes para casos de exploração e cobranças indevidas por ambas as partes. Para ratificar, tem-se a citação de Émile Durkheim que diz que a ausência de regulamentação social em uma sociedade pode levar a instabilidade e ao caos.

Portanto, faz-se necessário mudar esse cenário. Para tanto, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com empresas de tecnologia, melhorar a infraestrutura de hospitais, postos de saúde e enfermarias de escolas públicas, de forma a tornar esses lugares capazes de aderirem a telemedicina de uma maneira inclusiva, ou seja, ao alcance de todas as pessoas. Também, o Conselho Federal de Medicina deve, por meio de decretos, regulamentar a medicina virtual no país. Desse modo, os brasileiros poderão usufruir dos benefícios do desenvolvimento do meio técnico-científico.