Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 16/01/2021

A obra “O Grito”, do artista Edward Much, evidencia um ser que aparenta sentir pânico e desconforto diante do desconhecido. Essa ilustração vai de encontro à ausência de reflexão acerca da telemedicina no Brasil, visto que, ao contrário do personagem, a sociedade não se terrifica diante dos desafios enfrentados na implementação dessa técnica. Nesse sentido, é evidente que esse panorama tem como origem a escassez de medidas governamentais no que tange ao assunto. Assim, a falta de políticas públicas, bem como o individualismo agravam essa situação.

Vale destacar, a princípio, que a falta de políticas públicas é a causa notória da questão. Nessa perspectiva, Abraham Lincoln, célebre político americano, disse que a politica existe para servir à nação e não o contrário. Contudo, em relação aos desafios da implantação da telemedicina no Estado, essa afirmação de Lincoln não se faz presente, uma vez que o Poder Püblico não serve o povo com ações, metas e planos que solucionem entraves, como a escassa disponibilidade de aparelhos tecnológicos nos centros de saúde, bem como a necessidade de padronização dos pagamentos digitais. Assim sendo, sem uma politica comprometida, a mudança de tal questão é praticamente utópica.

Além disso, é imprescindível destacar o “Liquidismo Baumoniano” visivelmente presente na atualidade. Nessa perspectiva para o filósofo polonês Zigmunt Bauman, vive-se em uma sociedade individualista, a qual não se importa com os relacionamentos interpessoais ou problemas alheios. Sendo assim, as vitimas desse flagelo social, fruto da falta de empatia humana, as quais residem em lugares periféricos ou interioranos, muitas vezes, não possuem acesso à internet e, consequentemente, a telemedicina não é uma opção. Além disso, muitos indivíduos não dispõem de conhecimento acerca dos meios digitais e, sem auxílio de indivíduos que compreendem sobre o tema, acabam por optar pelos métodos padrões. Isso prova o descaso pessoal com os outros individuos e com as suas necessidades. Ve-se, dessa maneira, a importância de mudanças na perspectiva social.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação, por meio de uma parceria com as prefeituras, deve realizar palestras em escolas. Essa ação deverá ser compartilhada nas redes sociais das prefeituras no formato de “Live”, com o fito de atingir grande parte da população brasileira e trazer mais clareza a respeito da telemedicina e o quão importante é a sua implantação na atualidade. Ademais, ao cidadão cabe o papel de auxiliar indivíduos que não conseguem utilizar os meios digitais, por meio de explicações sobre aplicativos e pesquisas na internet, a fim de fazer com que esses indivíduos saibam usar o mundo digital e, consequentemente, a telemedicina. À vista disso, o entrave serå vencido.