Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 07/05/2021

“Nenhum homem banha-se no mesmo rio duas vezes”. O pensamento do filósofo Heraclito consagra o movimento perpétuo do mundo e as suas mudanças. Analogamente, as revoluções tecnológicas promoveram uma série de transformações no âmbito médico, como a adoção da telemedicina, a qual, apesar dos seus aspectos positivos, possui algumas vertentes negativas que precisam ser discutidas. São prementes, pois, debates sobre alternativas capazes de reparar os problemas dessa modalidade de atendimento, como forma de reverenciar, virtuosamente, a vida humana.

Primeiramente, é fato que o atendimento virtual beneficia de forma ímpar a saúde no Brasil. Nesse contexto, parafraseando Steve Jobs, a tecnologia move o mundo. Partindo desse pressuposto, é inquestionável as facilidades proporcionadas pelos meios digitais, haja vista a eficiência da telemedicina em propiciar o acesso à saúde aos desassistidos, já que a internet possibilita a comunicação entre os indivíduos, independentemente da distância geográfica. Tal fato pode ser ilustrado, ao permitir que uma mãe senegalesa, por exemplo, possa, com a ajuda de um médico americano, salvar a vida do seu filho. Posto isso, são indubitáveis os benefícios desse tipo de atendimento para pacientes e profissionais de saúde, primordialmente em razão da protocooperação entre a tecnologia e a medicina.

Por outro lado, caso a implantação da telemedicina não seja bem planejada, tende a prejudicar a práxis médica. Nesse viés, o pintor Frans Van Mieris teve a sensibilidade de retratar um médico medindo os batimentos cardíacos da sua paciente, em sua obra “A visita do médico”. Dito isso, é notória a magnitude do contato físico entre o médico e o seu assistido, como forma de oferecer ao enfermo um tratamento holístico e humano. Contudo, a telemedicina pode inviabilizar uma avaliação clínica eficaz, tendo em vista a ausência de exames físicos, tornando o atendimento, por vezes, impessoal e efêmero. Ademais, a desigualdade entre as regiões brasileiras pode dificultar o acesso democrático à tecnologia, pois nem todos dispõem de aparatos tecnológicos necessários às consultas. Assim, é imprescindível rever os aspectos que dificultam a adoção da medicina digital.

Portanto, “Não é sobre ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém pensou a partir daquilo que todo mundo ve”. Partindo do pensamento do filósofo Schopenhauer, é basilar que o Conselho Federal de Medicina estabeleça diretrizes em relação à implantação da telemedicina, com a capacitação dos profissionais, mediante congressos especializados, com instruções e orientações para aprimorar o atendimento remoto. Assim sendo, os médicos poderão estar preparados para esclarecer possíveis dúvidas dos assistidos e proporcionar um atendimento mais eficiente e holístico.