Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 02/02/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Tal premissa, do poeta Carlos Drummond de Andrade, enseja uma reflexão: durante o execício da sua nobre o práxis, os profissionais de saúde encontram diversas “pedras” no uso da telemedicina. Posto isso, é necessário elucidar os benefícios e malefícios dessa prática com intuito de aprimorar a medicina tradicional. Sob esse prisma, são prementes discussões para que o médico, ciente do seu papel de agente social, adote uma postura proativa a fim de garantir o cuidado com a vida humana.

Nesse contexto, para o sociólogo Durkheim, o indivíduo só poderá agir quando conhecer a conjuntura na qual está inserido e saber quais as suas origens e as condições de que depende. Em contrapartida, muitos médicos não usufruem de uma maior sensibilidade e compreensão, exigidas na teleconsulta, capaz de conhecer a origem e a condição do paciente. Nesse sentido, fatores como a falta de capacitação dos profissionais de saúde, a limitação de uma anamnese adequada e a vulnerabilidade dos dados do paciente a possíveis invasões constituem riscos da telemedicina que podem prejudicar o cuidado conciso e holístico. Assim, é inegável a magnitude da manutenção da responsabilidade delegada aos médicos, principalmente no que se refere ao enfrentamento dos empecilhos de adotar a medicina online para reverenciar, virtuosamente, a vida humana.

Por outra perspectiva, o filósofo Locke, em sua teoria da Tábula Rasa, afirma que o ser humano é como um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. De forma similar, muitos médicos podem ser “preenchidos” pelas vantagens advindas da telemedicina. Nesse viés, é basilar uma postura ética e proativa dos doutores a qual consiste na utilização da telemedicina para diluir distâncias, facilitar o atendimento e diminuir a contaminação em tempos de pandemia assim como levar saúde a populações desassistidas. Dessa maneira, surge a relevância dos profissionais de saúde reconhecerem a importância da telemedicina como um azimute capaz de conduzi-lo para fora do conceito de liquidez defendido por Bauman.

Diante do exposto, é evidente as vantagens e desvantagens do uso da telemedicina. Logo, é basilar que o Ministério da Saúde promova seminários educativos, por meio de palestras e debates, em suas plataformas digitais, com divulgação de programas como o TeleSUS o qual visa amplo esclarecimento da população sobre a COVID-19 e quando procurar atendimento presencial, com a finalidade de assegurar um processo efetivo de cuidado integral e empático. Dessa forma, os médicos poderão atuar desconstruindo cada vez mais os malefícios da teleconsulta e agir complementando a medicina convencional através da tecnologia.