Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 08/06/2021
A pandemia de Covid-19 mostrou ao mundo a importância dos avanços tecnológicos, advindos da Terceira Revolução Industrial, não apenas no combate ao vírus, mas, também, na manutenção da comunicação em diversos setores, desde o interpessoal as trocas entre os Estados. Nesse contexto, é possível destacar a telemedicina como uma importante ferramenta de auxílio na busca pela assistência da população em diversos países. No entanto, no Brasil, se por um lado a implantação da telemedicina trás benefícios ao proporcionar melhores atendimentos, por outro, pode ser, ao não levar em conta as diferenças sociais e economicas, uma propulsora do aumento da exclusão social.
Sob esse viés, é necessário analisar, primeiramente, que a implantação da telemedicina no país é benéfica ao pensar-se na melhoria nos atendimentos médicos. Nessa persapectiva, tendo em vista que a telemedicina é pautada em ferramentas virtuais de comunicação - aprimoradas com a Terceira Revolução Industrial - que proprocionam flexibilidade e agilidade, não é surpresa que isso aconteça. Dessa forma, a utilização dessas tecnologias, ao evitarem aglomerações em hospitais e atendimentos mais rápidos, trariam mudanças positivas ao bem-estar da população, indo ao encontro da Constituição federal de 1988, ao agir como um mecanismo de garantia de saúde aos cidadãos.
Entretanto, ao não pensar-se nas disparidades socioeconomicas, a implantação da telemedicina pode vir a ampliar a exclusão social. Nesse contexto, uma vez que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o nono país mais desigual do mundo, é notório a relevância desse quesito a esse questão. Nesse sentido, ao usar de tecnologia para os atendimentos, a telemedicina gera a necessidade de aparatos digitais, como celulares e internet, que, segundo o IBGE, não abarcam a totalidade da população. Assim, muitas pessoas, ao não terem condições ou não saberem fazer uso do que a telemedicina exige - por falta de orientações -, ficariam de fora desse avanço, sendo segregadas, e não beneficiadas, por essa nova prática.
Depreende-se, portanto, tendo em vista os pontos positivos e negativos da implantação da telemedicina no Brasil, a necessidade de medidas interventivas. Para tanto, cabe ao governo federal promover a criação do projeto “Tele-med’, por meio do redirecionamento de verbas da Receita Federal, que investirá em tecnologia nos hospitais - em todas as regiões do país - visando garantir atendimento agil e efetivo a população. Somado a isso, o governo, por meio de parcerias com empresas de tecnológia e comunicação, deve distribir e orientar - após pesquisa feita pelo IBGE - internet e equipamentos, como celulares, aos indivíduos que não os tenham. Dessa forma, o intuito de tais ações é fazer da telemedicina uma realidade para todos, evitando exclusões futuras.