Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 18/06/2021

A pandemia de Covid-19 mostrou ao mundo a importância dos avanços tecnológicos, não apenas no combate ao vírus, mas, também, na manutenção da comunicação em diversos setores. Nesse contexto, é possível destacar a telemedicina como uma importante ferramenta de auxílio na busca pela assistência da população. No entanto, no Brasil, se por um lado a implantação da telemedicina traz benefícios, ao proporcionar melhores atendimentos, por outro, pode ser, ao não levar em conta as diferenças sociais e econômicas, uma propulsora do aumento da exclusão social.

É preciso analisar, a princípio, que a implantação da telemedicina no país é benéfica ao pensar-se na possibilidade de melhores atendimentos. Sob esse viés, isso pode ser explicado pelo caráter virtual em que a telemedicina é pautada e nas ferramentas tecnológica - aprimoradas com a Terceira revolução Industrial – que, ao já fazerem parte da realidade social, auxiliam na flexibilidade e agilidade dos atendimentos. Nessa perspectiva, é possível destacar que essa prática evitaria aglomerações em hospitais, até então frequentes no Brasil, além de favorecer o bem-estar da população ao permitir maior conforto com atendimentos em casa. Dessa forma, a telemedicina traria mudanças positivas, indo ao encontro da Constituição federal de 1988 no que tange a garantia de saúde.

Entretanto, consoante ao sociólogo Pierre Lévy, defensor de que toda nova tecnologia cria seus excluídos, a implantação da telemedicina, sem um planejamento adequado a realidade socioeconômica brasileira, agiria como uma propulsora do aumento das desigualdades sociais. Nessa ótica, essa afirmação pode ser esclarecida a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que demonstram, não só as disparidades sociais e financeiras do país, mas, também, os déficits na distribuição de tecnologia entre os indivíduos e as regiões brasileiras. Assim, é possível destacar que, segundo o IBGE, em 2018, quase 46 milhões de brasileiros não tinham acesso à internet – elemento importante para a comunicação virtual - e que o Norte é a região menos desenvolvida tecnologicamente do país. Logo, é notório que uma parte da população seria excluída desse avanço.

Portanto, tendo em vista os aspectos mencionados, cabe ao governo federal promover a criação do projeto “Tele-med”, por meio do redirecionamento de verbas da Receita Federal e de parcerias com empresas de tecnologia e comunicação, que investirá na compra de computadores e implantação, plena e efetiva, de internet nos hospitais – em todas as regiões do país - e na distribuição de aparelhos tecnológicos, como celulares, aos indivíduos que não os tenham, com planos de internet mais baratos e/ou gratuitos – após pesquisa realizada pelo IBGE, visando a garantia de melhorias nos atendimentos médicos atuais e futuros e a inclusão de todos os setores sociais nesse feito.