Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 25/10/2021

A saúde é um direito firmado na Constituição Federal brasileira. Todavia, o acesso à saúde de qualidade, eficiente, rápida e igualitária não é evidenciado no país e implantar uma medicina democratizada em um país com grandes dimensões e evidente desigualdades sociais é um imenso desafio. Nesse contexto, a telemedicina surge como um método promissor, entretanto é válido verificar como as discrepâncias sociais e as limitações tecnológicas configuram desafios à democratização da telemedicina.

Primeiramente, é importante analisar como as disparidades socio-regionais impactam negativamente a implementação desse sistema. Sobre isso, é evidente que existe no país uma má distribuição dos médicos, os quais estão, majoritariamente, localizados nos centros urbanos e, portanto, não estão habituados com as condições de vida, doenças e complicações que afetam as áreas rurais e mais pobres do país. Além disso, as grandes disparidades sociais afetam o modo como as tecnologias são disponibilizadas à população, desse modo, de acordo com o IBGE, mais de 45 milhões de brasileiros não tem acesso a internet, o que impossibilita a utilização da telemedicina por mais de 20% dos habitantes. Dessa maneira, evidencia-se que questões sociais e econômicas são entraves à democratização da telemedicina.

Ademais, cabe ressaltar como as limitações das consultas à distância podem dificultar a consolidação desse meio. Acerca desse assunto, a ausência de contato físico entre o médico e o paciente promove a perda de alguns sentidos na avaliação, na medida em que o profissional não pode realizar a auscultação ou aferir a pressão arterial e não tem a visão completa do paciente, fatores que podem afetar o diagnóstico correto. Nesse sentido, a telemedicina exige condutas e conhecimentos específicos de protocolos, tecnologias e códigos de ética que vão além de utilizar os aparelhos eletrônicos . Por conseguinte, observa-se que a tecnologia nem sempre está a favor do desenvolvimento.

Portanto, fica evidente que existem inúmeros desafios à democratização da telemedicina no país. Dessarte, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Tecnologia, promover a capacitação do médico para utilização das tecnologias, através de cursos de especialização aos aplicativos destinados à telemedicina. Isso deve ser feito a fim de permitir a correta avaliação dos sinais externos característicos de diversas doenças apresentados pelo paciente, evitando o diagnostico incorreto e certificando a conduta médica correta. Somente assim, será possível, paulatinamente, garantir a acessibilidade e popularização da telemedicina.