Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 13/08/2021
O Futurismo foi um movimento artístico e literário do início do século XX caracterizado pela valorização da tecnologia e da velocidade, no qual as máquinas eram vistas como facilitadoras do cotidiano. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, ferramentas tecnológicas são úteis na medida em que permitem a realização da telemedicina, que consiste em atendimentos de saúde via aparelhos móveis, e, consequentemente, democratizam o acesso da população a consultas e diminuem o custo com deslocamento e infraestrutura. Contudo, essa prática ainda é estigmatizada na sociedade atual devido à falta de informação sobre a sua respeitabilidade e é importante atentar-se a isso.
Em primeiro lugar, vale salientar que a medicina à distância não visa substituir a tradicional, mas sim complementá-la. Em regiões de difícil acesso onde haja poucos médicos, uma conversa virtual pode solucionar problemas simples e, com o avanço da tecnologia, profissionais certificados da área podem observar os sintomas descritos pelo paciente e interpretar exames de forma totalmente remota. A partir disso, é possível realizar diagnósticos rápidos, além de prescrever tratamentos leves. Com base em uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2019, é sabido que mais de 80% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet, logo, pode-se afirmar que a telemedicina é responsável por facilitar a comunicação das pessoas com trabalhadores da saúde.
Ademais, uma consulta virtual possibilita que a necessidade de um encontro presencial seja avaliada antes que ele aconteça, o que reduz gastos com deslocamentos por parte do paciente e do médico. Somado a isso, durante a pandemia da COVID-19 e os períodos de distanciamento social, essa prática se mostra eficaz na diminuição da circulação de pessoas e da ocorrência de filas e de aglomerações em clínicas e hospitais, o que acarreta também uma menor disseminação de doenças virais, visto que torna viável se consultar sem sair de casa. Em síntese, são evidentes os pontos positivos dos atendimentos digitais e é imprescindível que a sociedade veja a sua adoção como aliada do sistema de saúde convencional.
Isto posto, fica claro que a tomada de medidas que informem aos cidadãos sobre os pontos positivos da implementação da telemedicina no Brasil é necessária. Para isso, é preciso que o Conselho Federal de Medicina, em parceria com o Ministério da Saúde, veicule campanhas midiáticas na televisão aberta, em horário nobre, que ressaltem que a prática da medicina à distância permite o diagnóstico rápido de condições simples de forma segura e diminui os custos com deslocamento até ambulatórios, o que configura um cenário favorável para o brasileiro especialmente durante o isolamento social. Desse modo, a população poderá usufruir dos benefícios dessa prática como os futuristas pregavam.