Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 23/08/2021

Durante a pandemia da covid-19 o uso da tecnologia foi intensificada, diversas áreas tiveram que se adequar ao mundo virtual, inclusive o atendimento médico a partir do surgimento da telemedicina- uma especialidade que disponibiliza serviços a distância para o cuidado com a saúde. Contudo, a implementação da telemedicina no Brasil envolve debates e inúmeros desafios, como a resistência das pessoas ao tratamento online e a exclusão digital.

Diante desse cenário, acerca da lógica referente à telemedicina é válido retomar o aspecto supracitado quanto a resistência popular. Isso porque, segundo a teoria do “Habitus”, do filósofo Pierre Bordieu, a sociedade tende a aprender e naturalizar determinados costumes. Dessa forma, o atendimento presencial, com consultas em clinicas e presença física do médico é algo que sempre ocorreu na história da humanidade. Portanto, como foi postulado por Pierre, esse comportamento foi naturalizado e perpetuado pelos indivíduos ao longo das gerações. Nesse sentido, as pessoas tendem a rejeitarem o atendimento virtual, por não confiarem na sua eficácia ou qualidade, já que estão acostumados as consultas tradicionais e, dessa forma. desconfiam do que não atendem a essa linha de raciocínio. Logo, a melhor maneira de resolver esse problema é desmetificado esse “Habitus”.

Aliado a isso, a exclusão digital também se constituir como um desafio para a implementação da telemedicina no Brasil. Com efeito, de acordo com o filósofo Habermas, incluir não é apenas trazer para perto, é também oferecer ferramentas para que o indivíduo se torne um cidadão de fato. Dessa maneira, não basta apenas celebrar a grandeza da internet, deve-se buscar, primordialmente, oferecê-la a todos. Porém, essa visão de Habermas está distante da realidade brasileira, haja vista que, segundo dados do Instituto de Geografia e Estatistíca(IBGE), cerca de 30% da população não tem acesso à internet no Brasil. Nesse viés, milhões de indivíduos são impossibilitados de entrarem no mundo virtual, em conseguinte substancial parcela da população não tem acesso a telemedicina, dado que para realizar uma consulta online é necessário tem os recursos básicos, como a disponibilidade de uma rede de internet.

Diante dos fatos supracitados, é notório que a implementação da telemedicina encontra diversos obstáculos, como o preconceito e a desigualdade de acesso à internet. Portanto, a mídia- pois é o principal veículo de comunicação social- deve, por meio de campanhas- incentivar e esclarecer as principais dúvidas quanto ao atendimento virtual, a fim de descontruir antigos hábitos. Ademais, compete ao Governo criar programas de acesso gratuito a internet, sobretudo em comunidades carentes, visando trazer a visão de Habermas para a prática e, assim, consolidar a telemedicina.