Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 27/08/2021

É nítido o avanço tecnológico, observado nas últimas décadas, na área da saúde. Desde 2002, há uma resolução do Conselho Federal de Medicina definindo a prestação de atendimento remoto, mesmo que com limitações. Embora passados quase 20 anos, apenas com a ascensão da pandemia, em 2020, houve avanço e ampliação na inserção da telemedicina na rotina médica brasileira. Dessa forma, é evidente o benefício da modalidade de atendimento para pessoas com doenças crônicas, como as cardiopatias, mas também é importante ressaltar suas restrições, umas vez que, não há exame físico nessas consultas.

Em primeira análise, o uso da tecnologia para atendimentos clínicos rompe a barreira física e permite ao paciente uma consulta rápida, sem a necessidade de deslocamento de nenhuma das partes. Nessa perspectiva, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, desde o início da pandemia, houve aumento de 31,8% das mortes em casa por doenças cardiológicas, reforçando a importância do acompanhamento do paciente, que é facilitada pelas ferramentas digitais. Sob essa ótica, este indivíduo poderia usufruir de tal instrumento para sua assistência regular e ajuste de medicamentos. Deste modo, contribui-se para a redução da sobrecarga ambulatorial das unidades de saúde.

Por outro lado, em casos de consultas com sintomatologia aguda, a evidente necessidade de exame físico minucioso limita o uso deste recurso. Neste sentido, uma criança com sinais respiratórios pode ter alteracao em sua saturação de oxigênio e não ser perceptível em uma chamada de vídeo, considerando que a Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que há de 250 a 500 mortes por ano causadas pelo vírus VSR, comum na primeira infância, um atendimento tardio poderia ser fatal. Por esse ângulo, em casos de sinas que requerem exames, pode haver um grave desfecho em episódios mal conduzidos, carecendo experiência para discernir e associar indícios de morte eminente. Desta forma, nem sempre basta uma boa anamnese para um atendimento adequado.

Portanto, os recursos de consultas remotas podem ser muito benéficas à população, mas é necessária cautela na eleição de seus usuários. Sendo assim, o SUS, Sistema Único de Saúde, deve implementar a modalidade para acompanhamento de pacientes em todos os casos em que não haja necessidade de exame presencial, como a atualização de receitas, por meio de prévia avaliação do médico que o assiste e não permitir o uso do método em novos enfermos ou aqueles com queixas agudas, a fim de evitar a superlotação dos postos de saúde e o diagnóstico falho ou incompleto. Feito isso, haverá vantagens para ambas as partes, evitando a sobrecarga médica e ofertando atendimento conveniente e acurado para a população.