Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Consoante às concepções do sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira, o Brasil é a simbiose entre o moderno e o arcaico, pois, apesar de progressos nas últimas décadas, ainda há obstáculos que impedem seu avanço. Dentre esses óbices, debate-se a carência de internet em áreas periféricas e a ignorância social por prejudicarem a implementação da telemedicina no Brasil. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na lacuna educacional.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Infraestrutura se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações públicas que promovam a implementação da telemedicina em locais periféricos. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela carência de internet nesses locais, o que resulta numa sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais dessas áreas. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que catalisem a telemedicina e cerceia os cidadãos brasileiros de regiões menos urbanizadas a uma realidade de fila de espera do SUS para problemas de saúde menos complexos.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes as origens e consequências do ensino lacunar. De certo, no modelo tradicional, o aluno é um mero ouvinte, e sua principal função é a memorização, não havendo espaço para troca de experiências e debates sobre possíveis soluções para problemas atuais. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, essa realidade possui impactos no Brasil, haja vista que fomenta nos brasileiros um estranhamento relacionado a novidade da telemedicina, o que gera frutos como o senso comum de que é impossível resolver problemas de saúde virtualmente. Isso posto, depreende-se a grande importância da mudança educacional, porquanto, enquanto esse sistema for inerte, haverá uma ignorância social impedindo a implementação da telemedicina no país.
Dessarte, fica claro que a inoperância estatal e o ensino lacunar são a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Infraestrutura, devido ao seu importante papel da logística do país, deve, por meio de tributos estatais, ampliar o acesso à internet gratuita em áreas menos urbanas, a fim de implementar a telemedicina nessas regiões periféricas e, consequentemente, diminuir a sobrecarga do SUS nesses locais. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, adicionar uma matéria chamada “Projeto de Debate, Pesquisa e Intervenção” a grade curricular, com o intuito de dizimar o senso comum de que a telemedicina não é boa. Espera-se, com isso, que o Brasil rume ao progresso.