Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 27/09/2021

Na série “Grey’s Anatomy”, os médicos se readaptaram devido à pandemia de Covid-19, o que possibilitou a consulta com pacientes sem a necessidade de um encontro presencial para garantir a segurança de todos. Assim como na série, a telemedicina se tornou presente na rotina dos brasileiros, que não se sentiam seguros para ir até o hospital ou consultórios. Entretanto, essa tecnologia carrega algumas dificuldades, como a acessibilidade ao sistema online, assim como a deficiência de um sistema público de qualidade.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2021, 40 milhões de brasileiros não têm acesso à Internet, ou seja, quase 20% da população. A partir disso, percebe-se que essa parcela da população geralmente, não tem condição financeira para suprir nem suas necessidades básicas, como alimentação e higiene, quanto mais possuir acesso à Internet. Como resultado, esses indivíduos se viram privados de utilizar a telemedicina, deixando de realizar exames e consultas, devido a dificuldades financeiras. Além disso, essa dificuldade de acesso provém da impossibilidade de utilizar o sistema público de saúde devido à superlotação de casos de Covid-19.

Devido à negligência do governo, o Sistema Único de Saúde (SUS) não recebe investimento suficiente para suprir a demanda de toda a população, por isso, muitos recorrem aos convênios ou ao pagamento integral de consultas e exames. Porém, essa não é a realidade da maioria dos brasileiros, que necessitam da gratuidade para cuidar da saúde e que não podem utilizar a telemedicina devido aos custos. Com isso, foi possível perceber durante a pandemia, que os beneficiados foram as pessoas de maior poder aquisitivo, enquanto as de classes mais baixas se viram na necessidade de adiar suas consultas e exames por não haver vagas disponíveis por não serem emergenciais no contexto pandêmico.

Assim tendo em vista que a telemedicina não é acessível a todos os brasileiros e considerando a superlotação do Sistema Único de Saúde (SUS), é essencial que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, em parceria com o Ministério da Saúde, garantam investimentos financeiros a partir da doação de bolsa-auxílio mensal, e para os que já tem acesso à Internet, um maior pacote de dados. Dessa forma, essa parcela da população terá acesso a uma internet de qualidade durante as consultas de telemedicina, assim como, conseguir agendar e fazer seus exames, garantindo de fato uma saúde adequada e de qualidade, sendo um direito básico e essencial para a população.