Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 25/09/2021

Na Grécia antiga, Aristóteles entendia a ética como a busca do bem comum. Consoante a essa ideia, a telemedicina visa, de certa forma, esse princípio aristotélico. No Brasil, foi implementada, no ano de 2020, frente à pandemia de Covid-19. Todavia, apesar dessa ter como principal objetivo a garantia de uma maior acessibilidade à população, ainda há desafios que cerceiam a efetivação do atendimento remoto, tais como: a fragilidade da relação médico-paciente e a desigualdade social. Sob tal ótica, a análise desse cenário é de extrema relevância.

É indubitável que, na sociedade hodierna, a modernidade líquida vigora. De acordo com o sociológo Bauman, o fenômeno da globalização proporcionou a volatilidade das relações humanas. Nesse sentido, nota-se que um dos desafios da telemedicina está em assegurar a solidificação da relação entre o médico e seu paciente, visto que, com os avanços tecnológicos, as consultas tendem a se tornar cada vez mais instantâneas e o profissional da saúde pouco se atenta a uma examinação completa. Além disso, questiona-se, também, a ética médica, pois, com a atuação à distância, o sigilo do paciente pode ficar comprometido, já que todos os seus dados ficam salvos em forma de “nuvem”, sendo imprescindível, por sua vez, solucionar esses entraves para se obter um atendimento qualificado.

Outrossim, para o geógrafo Milton Santos, a globalização apresenta um caráter perverso, a qual está relacionada à tirania da informação, em que prevalece a desigualdade social, já que nem todos tem o pleno acesso às tecnologias. Assim, a disponibilidade de internet nos lares brasileiros não é uma realidade comum a toda a população. Dessa forma, essa é outra barreira a ser superada pela telemedicina. Ademais, apesar dessa nova tecnologia de atendimento médico tentar suprir a demanda dos postos de saúde lotados, salienta-se que o Sistema Único de Saúde apresenta carências, ainda, negligenciadas que auxiliam na permanência dessa desigualdade. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a falta de leitos é uma das principais problemáticas, sendo que cerca de 64% dos pacientes alegam difiuldades nesse quesito. Nota-se, logo, as adversidades em ambos os meios.

Entende-se, portanto, que a acessibilidade e a qualidade do atendimento médico deve ser garantido a todos. Desse modo, faz-se necessário que o Ministério da Saúde-em parceria com o Ministério de Telecomunicações- promova uma ampliação da telemedicina em regiões carentes, por meio de planos de internet acessíveis, a fim de proporcionar o direito a consulta. Ademais, a fiscalização do atendimento, pelo Conselho Federal de Medicina, também, é de extrema importância, o qual deverá ser realizado através da legislação, a qual estabeleça normas segundo a ética médica com a finalidade de se efetivar um atendimento humanitário e seguro. Assim, o bem comum aristotélico regressará.