Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 24/09/2021
Em um projeto da Universidade Técnica de Delft, nos Países Baixos, o estudante Alec Momont criou um “drone-ambulância”, que auxiliaria indivíduos em ataques cardíacos. Assim sendo, essa tecnologia conseguiria acolher os cidadãos em momentos críticos, até a chegada dos profissionais da saúde. A partir desse evento, percebe-se a relevância da telemedicina para a agilidade nos atendimentos, servindo como apoio na relação médico e paciente. Todavia, essas tecnologias acabam não sendo efetivadas, pela ineficaz promoção do Governo ao acesso tecnológico no corpo social brasileiro, que acaba configurando-se como uma subcidania.
Em primeira análise, de acordo com o filósofo canadense McLuhan, a nova interdependência eletrônica criou no mundo uma organização social, como uma aldeia global. Sobre esse viés, nota-se os benefícios da telemedicina o qual, auxiliada por celulares, computadores, aplicativos e internet, encurtou distâncias e aumentou a velocidade e a possibilidade de atendimento dos pacientes. Dessa maneira, formou-se uma comunidade interligada, de certa forma global, fazendo com que os indivíduos tenham um atendimento de saúde mais ágil e em diversos locais, auxiliando na propagação do bem estar brasileiro.
Outrossim, apesar dos benefícios, a telemedicina não é plenamente implantada. Sob essa perspectiva, pode-se associar a temática ao conceito de “subcidadania” de Jessé Souza. Como salienta o sociólogo, os espaços de manutenção da cidadania, como o acesso à tecnologia, não são encontrados nas grandes periferias. Sendo assim, a telemedicina, como dependente da tecnologia, ainda não é possível parte da população. Isso pode ser notado pelo fato de cerca de 40 milhões de brasileiros estarem sem acesso à internet em 2019, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, as teleconsultas, que necessitam desse espaço virtual, excluiriam parte da nação.
Dessarte, medidas são necessárias para a implantação da telemedicina no Brasil. Em vista disso, cabe ao Governo Federal facilitar a aquisição de tecnologias como celulares, rede de internet, além de aparelhos médicos para os hospitais de rede pública. Isso pode ser realizado por meio de uma proposta de lei de incentivo a tecnologia, entregue à Câmara dos Deputados, que facilite a compra desses equipamentos tanto para os brasileiros, quanto para as instituições de saúde. Dessa forma, buscar-se-ia a formação de uma sociedade mais interligada, além de mitigar a subcidadania de Jessé no país, incentivando a telemedicina.