Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 24/09/2021

A Terceira Revolução Industrial se destacou em questões de cunho tecnológico e foi denominada de Revolução Técnico-Científica e Informacional, visto que a tecnologia é parte essencial nessa fase. Neste sentido, a evolução dos meios de comunicação auxiliam em vários aspectos do cotidiano, inclusive no atendimento médico remoto - a telemedicina. Porém, deve-se avaliar alguns problemas dessa modalidade, como a exclusão digital e a possibilidade de vazamento de dados.

Em primeiro lugar, vale destacar a exclusão digital como desafio à telemedicina. Historicamente, algumas regiões brasileiras tiveram mais investimento do que outras, o que gerou desigualdades alarmantes. Desta maneira, o acesso aos meios digitais não ocorre de forma ampla e democrática, visto que, em especial, nas áreas periféricas não há investimentos básicos, como sanitário, escolar e, consequentemente, digital. Tal realidade é evidenciada pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em que mencionam que 25% dos brasileiros não têm acesso à internet, o que reforça essa segregação tecnológica.

Outrossim, a exposição de dados sigilosos é outro fator a ser considerado. Apesar da telemedicina ser uma forma aprovada pelo Conselho Federal de Medicina há décadas, ela se tornou evidente durante a pandemia da Covid-19, o que fez com que várias instituições criassem seus sistemas às pressas e, possivelmente, frágeis a invasão de “hackers”. Desse modo, a ausência clara de uma segurança de dados acarreta desconfiança e medo aos usuários. A exemplo têm-se um epidósio da série “Grey’s Anatomy” que mostra o bloqueio de todo o sistema informacional de um hospital devido a sua fragilidade, o que incluía dados de pacientes.

Portanto, as colaborações da Terceira Revolução Industrial são inegáveis, entretanto, buscar soluções para os desafios existentes é necessário. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceira com as Universidades Federais, deve elaborar plataformas nacionais de acesso a consultas médicas, por intermédio de testes de segurança, facilidade para a adesão em consultórios e com um visual intuitivo, para que os pacientes não tenham dificuldades, a fim de promover a segurança esperada. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia precisa expandir o acesso aos meios digitais no interior, por meio de investimentos privados e parcerias com instituições tecnológicas, visando a democracia digital.