Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 06/10/2021
Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lilia Scwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se a ambivalência entre grandes avanços e atrasos. Tal fato é evidenciado no contexto de implementação de grandes tecnologias, como a telemedicina, enquanto o país convive com um grande quadro de desigualdade social - agravado principalmente pela pandemia. Nesse viés, atendimentos não presenciais podem diminuir a tensão no sistema único de saúde (SUS), entretanto, a hierarquização regional e urbana dificultam tal ação. Dessa forma, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.
Primeiramente, deve-se reconhecer que muitos atendimentos na pandemia da Covid-19 foram possibilitados por meio da execução da telemedicina. Além disso, esta forma de executar a medicina e cuidados com paciente permite a chegada de médicos em regiões de díficil acesso. Acerca disso, atendimentos não presenciais podem levar saúde a cidades do interior do Brasil e plataformas petrolíferas, e, ainda reduz o estrangulamento causado pela grande demanda, conforme destacou o Conselho Federal de Medicina ao regulamentar o exercício dessa forma de atendimento. É factual, portanto, a importância do uso de tecnologias na saúde contemporânea.
Por outro lado, o Brasil é um país que convive com intensa desigualdade social, e a segregação socioespacial torna-se evidente em suas macrorregiões e nas cidades. Nesse sentido, observa-se que a segregação social - evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil” - impede que populações da periferia usufruam de tal benefício da modernidade, seja pela falta de equipamentos ou de profissional especializado com conhecimentos tecnológicos. Torna-se clara, a partir dessa análise, que algumas cidades tornarão-se superiormente especializadas em comparação com outras, aumentando ainda mais o “vão” da segregação socioespacial.
Portanto, vistos os desafios associados à essa temática, é mister uma atuação governamental para combatê-los. Desse modo, o Ministério da Saúde, órgão púbico responsável por administrar o Sistema Único de Saúde, necessita combater as desigualdades em saúde por meio de aumento de verbas destinados a implementação de infraestrutura tecnológica nos hospitais, principalmente de cidades onde há maior quadro de vulnerabilidade social, com o objetivo de facilitar o acesso de grande parte da população à este avanço contemporâneo. Além dessa medida, há necessidade de especialização de pessoal para prestar suporte nos ambientes hospitalares. Mediante a essas ações concretas, o Brasil deixará de ser reconhecido por suas ambivalências entre atrasos e avanços.