Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 07/10/2021

No século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe consigo uma série de inovações no ramo da ciência, entre elas o surgimento da telemedicina, vista como uma forma de maior integração e flexibilização na assistência médica à população. Embora represente um avanço, ainda há entraves que impedem a sua consolidação na sociedade brasileira, configurando-se um quadro preocupante para o país. Isso se evidencia não só negligência do governamental, como também pela indiferença midiática.

Diante desse cenário, nota-se a falta de investimento público como propulsora do impasse. Nessa perspectiva, na obra O Contrato Social, o filósofo inglês John Locke defendia que o Estado surge para garantir os direitos naturais. Tal cenário, no entanto, não é perceptível na realidade, já que o descaso governamental, no que diz respeito à aplicação de capital, para o desenvolvimento de projetos com vista na elaboração de políticas públicas, inviabiliza a promoção de um sistema de saúde de qualidade. Por conseguinte, a falta de atuação do governo propicia para que haja falta de assistência governamental, sobretudo na saúde, visto que, nos lugares mais carentes, não há nem equipamentos e aparatos para que essa modalidade de saúde aconteça. Dessa maneira, ocorre a banalização no fomento de saúde pelo governo, a qual contribui para a manutenção do problema.

Além disso, destaca-se o silenciamento midiático como impulsionador do impasse. Isso pode ser comprovado pelo filósofo francês Michel Foucault, o qual diz que, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas, o que legitima a falta de debates sobre a medicina virtual nos veículos midiáticos, por ser vista como algo que não trará lucratividade por ter baixa adesão da população, ocasionando, dessa forma, pouca audiência, de forma que favorece a criação de um preconceito, por desconhecer os benefícios que a telemedicina proporciona, como a realização de consultas a distancia. Desse modo, esse panorama retarda a resolução da problemática, já que a neutralidade midiática favorece a perpetuação desse quadro nocivo.

Urge, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve a telemedicina no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, responsável pela harmonia social, deve elaborar políticas públicas efetivas, por meio replanejameto orçamentária, para realizar  investimento para compras de equipamentos  tecnológicos que possibilitem a modalidade da telemedina, com o propósito de proporcionar um sistema de saúde de qualidade. Ademais, a mídia precisa informar ao corpo social acerca dos benefícios da medicina virtual, a fim de desconstruir o preconceito criado. Espera-se, com isso, reverter essa conjuntura e, assim, alcançar os ideais da Revolução Industrial na sociedade.