Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 20/10/2021

No século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe consigo uma série de inovações no ramo da ciência, entre elas, o surgimento da telemedicina, vista como uma forma de  integração e flexibilização na assistência médica à população. Embora represente um avanço, ainda há entraves que impedem a sua consolidação na sociedade brasileira, configurando-se um quadro preocupante para o país. Isso se evidencia não só pela negligência governamental, como também pela indiferença midiática.

Nessa perspectiva, nota-se a carência de investimento como propulsora do impasse. Acerca disso, o filósofo John Rawls pontua que o governo íntegro busca disponibilizar recursos financeiros a todos os setores, visando promover uma igualdade de oportunidades a todos. Tal cenário, no entanto, não é perceptível na realidade, já que o descaso governamental, no que diz respeito à aplicação de capital, para o desenvolvimento de projetos com vista na elaboração de políticas públicas, inviabiliza, lamentavelmente, a promoção de um sistema de saúde de qualidade. Por conseguinte, o governo propicia para que haja falta de assistência governamental, sobretudo na saúde, como a aquisição de equipamentos e aparatos que permitam a realização dessa modalidade  de saúde.

Além disso, destaca-se o silenciamento midiático como impulsionador do impasse. Isso pode ser comprovado pelo filósofo Michel Foucault, o qual diz que muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas, o que legitima a falta de debates sobre a medicina virtual nos veículos midiáticos, por ser vista como algo que não trará lucratividade por ter baixa adesão da população sobre a temática, inviabilizando sua veiculação na mídia. Dessa forma, os meios de comunicações impossibilitam, em alguns casos, a democratização do acesso à informação, que, infelizmente, gera um preconceito sobre essa modalidade de saúde por desconhecer os benefícios proporcionados pela telemedicina, como a realização de consultas à distância.

Urge, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve a telemedicina no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, responsável pela harmonia social, deve elaborar políticas públicas efetivas, por meio replanejameto orçamentária, para realizar um maior investimento para compras de equipamentos e aparatos tecnológicos que possibilitem a modalidade da telemedina, com o propósito de proporcionar um sistema de saúde de qualidade. Ademais, a mídia precisa informar ao corpo social acerca dos benefícios da medicina virtual, a fim de desconstruir o preconceito criado pelo seu desconhecimento. Espera-se, com isso, reverter essa conjuntura e, assim, alcançar a materialização dos ideais da Revolução Industrial na sociedade.