Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 29/10/2021

A obra cinematográfica “Para todos os garotos que já amei” retrata a realidade de uma jovem que realiza consultas virtuais de forma benéfica. Com essa abordagem, o filme revela os impactos do uso da tecnologia na telemedicina. Hodiernamente, diferente da ficção, muitos brasileiros não possuem acesso aos médicos virtuais e, aqueles que possuem, não sabem administrar de forma correta,  o que contribui para desigualdade social e descredibilização de manejos médicos. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental, além da falta de informação essas consequências se agravam.

Com efeito, a negligência do Estado no que tange ao avanço da telemedicina, é um dos fatores que fazem com que essa prática não se perpetue. Nessa prerrogativa, a escassez de políticas públicas que tornem a medicina virtual democrática, contribui para precariedade desse setor e segregação social, devido ao fato da população carente não ter acesso a esse mecanismo, além da ausência de médicos públicos que exerçam essa modalidade. Dessa forma, há o aumento da desigualdade social, tendo em vista à falta de recursos gratuitos para população economicamente desfavorecida. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar a integralidade do SUS, essa lei vigora de forma ineficaz, visto que não há investimentos estatais que insiram a redes públicas de saúde no ambiente virtual.

Nota-se, outrossim, que a falta de informação é influente na constância desse dilema. Nesse aspecto, devido a escassez de instrução sobre o uso correto da telemedicina, há a relativização das imprecisões médicas e suas consequências. Por conseguinte, de acordo com a “Fio Cruz” 70% dos brasileiros afirma se utilizar da tecnologia para realização de todas as modalidades da medicina, a pesquisa evidência que a população não tem embasamento para administrar essa ferramenta de forma benéfica. Dessa modo, há o aumento de diagnósticos incompletos, tendo em vista ao fato de algumas áreas médicas necessitarem de exames físicos para a fidedignidade do prognóstico. Logo, a desinformação sobre o uso correto da teleconsulta, concorda com Saramargo, quando afirma que que a sociedade, por não ter acesso ao conhecimento, torna o que era para ser benefício em malefício.

Portanto, vistos os impasses relacionados a implementação da telemedicina, é mister uma ação estatal e midiática. Dessa maneira, o Ministério da Saúde deve criar políticas públicas voltadas para consultas virtuais gratuitas, por meio do investimento de verbas nessa área. Para tal, faz-se necessária a inserção de cursos profissionalizantes que envolvam o uso de teleconsultas voltadas para os médicos da rede pública, com o objetivo de tornar essa modalidade democrática. Ademais, cabe ao Ministério da Comunicação instruir a população sobre o uso correto da medicina virtual, com o objetivo de formar indivíduos conscientes. Isso feito, realidades como a de Lara figurarão na vida real.