Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 01/11/2021
“Não são as crises que mudam o mundo, mas sim a reação social diante delas”. Essa afirmação atribuída ao sociólogo Zygmund Bauman , figura como um contraponto à conduta passiva da sociedade diante do debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil, já que é o comportamento da habitualidade frente a necessidade humana que consolida a carência de meios para erradicar essa adversidade. Nesse sentido, é inegável que esse quadro origina-se da negligência do Estado, que se mostra omisso no que tange a ações que garantam a implantação da telemedicina. Logo, não só a falta de segurança dos meios digitais, como também a desigualdade social corrobora essa vicissitude.
Em primeiro plano, a falta de segurança do meio cibernético, dessa forma, contribui para a banalização da implantação da telemedicina. Isso acontece, sobretudo, porque inúmeros delitos cibernéticos acontecem frequentemente, o que impõe a descredibilidade por parte da sociedade em relação a utilização do atendimento médico de formato virtual. Essa reflexão pode ser confirmada pelo sancionamento da Lei 12.737/2012 popularmente como a Lei Carolina Dieckmann, que, devido ao exacerbado número de crimes informacionais da violação da integridade dos cidadãos nas redes fez-se necessária. Sob esse prisma, o exercício seguro da telemedicina caracteriza-se como um fator limitante para ser efetivada. Desse modo, ações são necessárias para mitigar essa patologia social.
Além disso, a segregação social solidifica impasses sobre a prática da medicina por meio das redes. Essa situação surge porque, mesmo diante da existência da previsão legislativa de manutenção do acesso as tecnologias, a maior parte da população não gozam desse direito, tornando-se um obstáculo para a inserção da telemedicina no país. Resulta disso, a elitização do consumo desse novo modelo de saúde, que não são providos pelo poder público e tornam-se inacessíveis para a grande população. Ilustração desse cenário são os dados apresentados segundo a Síntese de Indicadores Sociais, divulgado pelo IBGE, o Brasil é considerado o nono país mais desigual do mundo. Dessa maneira, medidas devem ser tomadas quanto a esse impasse.
Mediante o exposto, torna-se inegável que a negligência governamental solidifica o problema da execução da telemedicina no país. Portanto, para solucionar esta questão, faz-se necessário que o governo federal atue por meio de incentivos fiscais, a partir de parceria com empresas privadas, possibilitem às pessoas de baixa renda o acesso a aparelhos celulares e computadores. Ademais, cabe o Ministério da Saúde a mobilização de recursos para a criação de plataformas digitais que sejam seguras para o exercício da Telemedicina, com a finalidade de que seja acessível para os cidadãos brasileiros esse modelo de saúde. Assim, poder-se-à minorar tal problemática.