Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 03/11/2021

Steve Jobs, empreendedor da área de telecomunicações, defende que “A tecnologia move o mundo”. Nesse sentido, visto o vigente cenário de implementação da telemedicina no Brasil e os avanços relacionados ao quesito acessibilidade, é evidente a relevância da ampliação do uso de tecnologias no âmbito da medicina. Entretanto, é importante destacar não somente os benefícios proporcionados pelo quadro apresentado, mas também a falta de democratização desses recursos como principal desafio para a difusão da telesaúde. Portanto, tendo como objetivo a promoção do bem - estar e o desenvolvimento do setor da saúde, é incontestável a essencialidade de medidas estatais.

Nessa perspectiva, é fato que a telemedicina representa um grande avanço no quesito acessibilidade aos serviços de saúde. Nesse viés, é pertinente mencionar a tese proposta por Milton Santos, geógrafo brasileiro, que destaca a existência de “espaços opacos e luminosos” no meio social, diferenciados pelo acesso à recursos, à investimentos e à infraestrutura. Dessa maneira, é realidade que a internet e a área de telecomunicações são essenciais na conexão entre áreas periféricas e distantes dos centros urbanos, “espaços opacos”, e os recursos e profissionais das cidades, “espaços luminosos”. Dessa forma, a telesaúde é a “ponte” que conecta os ambientes e as pessoas, possibilitando o acesso à saúde em diferentes espaços do território, o que reforça e exemplifica o proposto por Steve Jobs.

Contudo, é relevante apontar a falta de democratização dos recursos tecnológicos como o principal empecilho para a difusão da telemedicina. Nessa lógica, é oportuno frisar que, se por um lado a área de telecomunicações possibilita a conexão entre locais distintos, por outro, a sua elitização exclui camadas sociais desse novo setor da sociedade e reforça desigualdades sociais. Nesse sentido, é válido  citar o filósofo e pensador, Bourdieu, e sua tese “violência simbólica”, que denuncia a presença de um tipo de violência que não depende de coersão física, mas que se apoia em elementos de segregação e exclusão enraizados no corpo social. Logo, a falta de acesso à tecnologias e à telemedicina representa fatores de segregação e de reforço de desigualdades, sendo assim, clara a fundamentalidade de medidas governamentais para a mudança desse cenário.

Depreende-se, assim, a imprescindibilidade da democratização de tecnologias e a relevância da telesaúde no contexto atual. Para tanto, compete ao Ministério da Tecnologia e Comunicações disponibilizar o acesso à recursos tecnológicos. Isso deve ser feito por meio da instalação de computadores em espaços públicos, como blibliotecas, acompanhados por um manual que instrua sobre o uso do aparelho e sobre a telemedicina, de forma a garantir o acesso de todos à essse setor. Objetiva-se, com isso, a democratização da saúde e a ampliação da telemedicina.