Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 25/02/2022
Na série médica norte americana Greys Anatomy, há um episódio em que os médicos tentam ajudar uma criança a salvar a vida de sua mãe por telefone, isto é, usando um serviço à distância para o cuidado com a saúde, a chamada telemedicina. Contudo, essa importante modalidade médica ainda enfrenta entraves para a sua implementação no Brasil, como a negligência governamental e a desigualdade social. Com efeito, é fundamental reduzir as causas desses revés.
Diante desse cenário, é oportuno pontuar que a omissão estatal possui íntima relação com o problema. Sob essa perspectiva, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem para criar ações resolveriam a implementação da telemedicina no país, pois os hospitais não possuem infraestrutura adequada, falta médicos e equipamentos tecnológicos, dificultando o acesso gratuito da população à essa realidade médica. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize, com usa omissão do dever, esse problema no Brasil.
Denuncia-se, outrossim, o agravamento do impasse por parte da disparidade socioeconômica da sociedade brasileira. Acerca disso, o dramaturgo brasileiro Ariano Suassuna, aponta a existência de uma injustiça secular que divide a nação brasileira em dois segmentos: o dos privilegiados e o dos despossouídos. Sob essa ótica, a parcela desfavorecida não é detentora do poder aquisitivo que permita a compra de planos de internet para as consultas online, o que ocasiona, por conseguinte, a exclusão de parcela da população a essa realidade, principalmente nas regiões mais interioranas. Desse modo, é crucial a mudança desse quadro.
Infere-se, portanto, a necessidade de reduzir os desafios da implementação da telemedicina no Brasil. Para tanto, cabe ao ministério da Saúde, órgão responsável pelos cuidados físicos e mentais dos indivíduos, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, promover condições para a expansão e melhoria da telemedicina no país, por meio de investimentos nos hospitais para contratar médicos e compra de equipamentos tecnológicos, além de subsídios de planos de internet para as regiões mais longíquas.