Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 06/03/2022

Na série norte-americana “Greys Anatomy”, há um episódio em que os médicos tentam ajudar uma criança a salvar a vida de sua mãe por telefone, isto é, usando um serviço à distância para o cuidado com a saúde, a chamada telemedicina. Contudo, essa importante modalidade médica ainda enfrenta entraves para a implementação no Brasil, como a negligência governamental e a desigualdade social. Com efeito, é fundamental reduzir as causas desse revés.

Diante desse cenário, é oportuno pontuar que a omissão estatal possui íntima relação com o problema. Sob essa perspectiva, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem para criar ações que resolveriam a implementação da medicina no Brasil, pois os hospitais não possuem infraestrutura adequada, falta médicos e equipamentoss tecnológicos, dificultando o acesso gratuito da população a essa realidade médica. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize, com ussa omissão do dever, esse problema no país.

Denuncia-se, outrossim, o agravamento do impasse por parte da disparidade socioeconômica da sociedade brasileira. Acerca disso, o dramaturgo brasileiro Ariano Suassuna, aponta a existência de uma injustiça secular que divide a nação brasileira em dois segmentos: o dos privilegiados e dos despossuídos. Sob essa ótica, a parcela desfavorecida não é detentora do poder aquisitivo que permita a compra de planos de internet para consultas online, o que ocasiona, por conseguinte, a exclusão de parcela da população a essa realidade, principalmente nas regiões interioranas. Desse modo, é crucial a mudança desse quadro.

Infere-se, portanto, a necessidade de reduzir os desafios da implementação da telemedicina no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pelos cuidados físicos e mentais dos indivíduos, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, promover condições para a expansão e melhoria da telemedicina no país, por meio de investimentos nos hospitais para contratar médicos e compra de equipamentos tecnológicos, além de subsídios de planos de internet para as regiões mais longíquas.