Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 07/11/2020

O processo educativo no Brasil, teve início desde a colonização portuguesa, na figura dos jesuítas, que eram padres que vieram catequizar os índios no país. Além de repassar ensinamentos relacionados à religião, eles foram ensinados a se comunicar com os novos habitantes e de expressar sua linguagem. Associado a esse fato, o percurso educacional no país sofreu diversas interferências em relação ao acesso ao ensino e às suas metodologias, tanto nos primeiros anos de aprendizagem, quanto na sua formação acadêmica. Assim, tem-se que a qualidade do ensino superior no Brasil é questionável, devido ao seu legado histórico e a deficiência estrutural educacional do país.

Em primeiro lugar, o legado histórico brasileiro relacionado ao ensino, tem contribuído para a persistência do problema. Sabe-se que no Brasil, inicialmente, as pessoas que estudavam eram apenas os homens que tinham posses, sendo excluídos os demais cidadãos. Tal fato contribuiu para a segregação social do acesso à educação superior principalmente, privilegiando algumas classes em detrimento de outras. Nessa perspectiva, a máxima de Confúcio, filósofo chinês de que, não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer mais erros, cabe perfeitamente. Isso significa que, caso o governo não viabilize as oportunidades de estudos para todas as faixas etárias e rendas, as desigualdades na educação permanecerão.

Em segundo lugar, a deficiência na estrutura escolar e universitária no país também contribuem para o tema. Com a propagação da educação a distância (EAD), muitas pessoas passaram a ter a oportunidade de cursar uma faculdade de modo remoto e conseguir um diploma. Desse modo, houve a ampliação de oportunidades para quem antes seria praticamente impossível, conforme consta numa pesquisa feita pelo Censo de Educação Superior, realizado no ano de 2019 pelo Inep, de que as matrículas no ensino superior na modalidade à distância foram de 25% em relação ao ensino presencial. Apesar desse aumento no acesso,tal modalidade não trouxe consigo polos presenciais com suporte adequado e nem qualidade de ensino, comparado ao ensino presencial.

Logo, medidas devem ser tomadas para a melhoria do ensino superior a distância no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, deve desenvolver avaliações mais criteriosas nessas faculdades, por meio de visitas anuais para verificação dos currículos, suporte presencial, plataforma de ensino e formação dos professores. Tais avaliações devem ser publicadas nas redes sociais a fim de disseminar o resultado para atingir um público maior, possibilitando uma análise da instituição antes de ingressar, para que o estudante passe a pesquisar o melhor local para se matricular, sem levar em consideração apenas o menor preço, e, consequentemente aprimorar o ensino.

Logo, medidas devem ser tomadas para se alterar o cenário da baixa qualidade da educação superior à distância no Brasil. Para isso, o governo, através do Ministério da Educação, deve criar estratégias para fiscalizar melhor as faculdades que oferecem essa modalidade de ensino, de modo a verificar toda a infraestrutura dos polos, além de revisar os currículos dos cursos a fim de ser disponibilizado o mesmo conteúdo das instituições presencias, sem deficiência de conteúdo. Além disso, os alunos da EAD devem ser submetidos a avaliações anuais relacionadas ao ensino. Dessa forma, a qualidade da educação a distancia pode ser melhorada no país.