Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 06/11/2020

EAD: democratização que ainda falha

Segundo William Arthur Lewis, a educação jamais pode ser vista como despesa, mas como um investimento cujo retorno é garantido. Na conjuntura hodierna, é indubitável que a modalidade de ensino a distância (EAD) se encontra cada vez mais presente nas universidades do Brasil. Entretanto, esse modelo provou ser complicado de ser aplicado, uma vez que são necessários diversos requisitos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Não somente, um estudo feito pela organização Todos pela Educação revelou que o desempenho dos que se formaram por EAD não possui a mesma qualidade dos que se formaram presencialmente.

A priori, é notório que o EAD é um modo de educação cujo acesso é facilitado, tendo portanto uma demanda de alunos que se expande cada vez mais: do ano de 2016 para 2017, o número de alunos matriculados para estudar a distância aumentou mais de 27%, segundo pesquisa do Todos Pela Educação. É possível concluir que o ensino a distância se mostra como uma forma de democratização da educação, sendo mais flexível com os horários daqueles que possuem uma rotina ocupada.

Apesar dos fatos supracitados, não é possível afirmar que os resultados dos concluintes por ensino a distância tenha o mesmo nível dos concluintes presenciais. O Enade classifica 75% dos formandos por EAD abaixo da pontuação 50, índice que, se tratando dos formandos presencias, é de 65%. Portanto, é irrefutável que o EAD no Brasil ainda conserva alguns desafios quanto a sua qualidade. Conforme Paulo Freire, quando o homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Nesse contexto, as universidades brasileiras que aplicam EAD, uma vez que reconhecerem os obstáculos que impedem seus alunos de serem tão qualificados quanto os que estudam presencialmente, são capazes de progredir para um ensino a distância mais eficaz.

Em síntese, o EAD é um modelo promissor, mas que ainda precisa de reformas para formar alunos mais competentes. Dessa forma, é imperioso que o Ministério da Educação (MEC) avalie minuciosamente as universidades que apresentam esse modelo de ensino, garantindo que elas dispõem de toda a infraestrutura necessária. É mister que cada universidade se responsabilize por especializar seus professores na área, com aulas e palestras ministradas por profissionais, para que eles possam passar seu conhecimento aos alunos da melhor maneira possível. Com as medidas apresentadas aplicadas, o EAD no Brasil se tornará um modo de educação impecável, capaz de formar profissionais capacitados em todos os estados do país.