Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Nesse sentido, a ficção mitológica pode ser relacionada aos desafios enfrentados pelo ensino superior a distância no Brasil, o qual ainda enfrenta impasses para garantir uma educação de qualidade. Essa realidade se deve, essencialmente, à falta dos requisitos necessário por parte das universidades, bem como de uma negligência estatal diante de tal cenário.

Em primeiro plano, pode-se destacar a precariedade das condições do EAD de algumas instituições como uma das causas do problema. A esse respeito, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Educação (IBDE), apenas 35% das universidades credenciadas na modalidade de ensino a distância cumprem todos os requisitos propostos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Paralelamente, a defasagem das instalações físicas, ausência dos polos de apoio presencial, estruturas deterioradas dos laboratório para aulas práticas, dificulta o apoio e a aprendizagem dos indivíduos inseridos no ensino a distância, consequentemente, a desistências do aluno torna-se frequente. Sob esse viés, verifica-se que, infelizmente, mesmo após avanços tecnológicos, ainda há dificuldades em assegurar uma qualidade na educação superior a distância.

De outra parte, é preciso pontuar as indiligências governamentais frente a situação do ensino superior remoto. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988, determina que todo cidadão tê direito a uma educação de qualidade. Entretanto, o povo não possui seus direitos garantidos, como promete o fundamento constitucional, uma vez que a falta de fiscalização nas faculdades EAD, permite que a qualidade de ensino não seja totalmente eficaz, prejudicando a conclusão do curso pelo discente, tal qual têm uma baixa qualificação profissional. Dessa forma, faz-se necessário um olhar mais crítico diante desse setor.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), agente responsável pelos aspectos educacionais, estimular o cumprimento das Leis de Diretrizes e Bases da Educação pelas universidades que adotam o EAD como modalidade de ensino superior, por meio de multas e taxas para aquelas instituições que nos disponibilize todos os requisitos necessário para uma boa educação, garantindo que os estudantes não se submetam a um ensino defasado. Ademais, o Governo Federal deve investir na fiscalização, através de inspeções mensais nos sites das faculdades e entrevistas com os alunos. Desse modo, os Sísifos brasileiros vencerão os Zeus da educação superior a distância.