Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Com a Revolução-Técnico-Científico-Informacional ocorreram diversas transformações no âmbito das comunicações e o encurtamento do espaço-temo. Nesse sentido, os avanços tecnológicos decorrentes desse período propiciaram o surgimento de uma nova modalidade de ensino superior, a Educação à Distância (EAD), que, em tese, deveria democratizar o acesso ao conhecimento. Entretanto, o resultado tem divergido do objetivo inicial, uma vez que o EAD distância o aluno do processo pela busca do conhecimento e que, por consequência, reduz o rendimento do desempenho das funções acadêmicas. Diante disso, se faz necessária a intervenção do Estado.

Convém ressaltar, a princípio, que a busca pelo conhecimento deve-se dar por meio de um processo ativo. Na Grécia antiga, o filósofo Sócrates desenvolveu um novo método de aprendizagem - a Maiêutica - que consistia em uma dialética de perguntas e respostas sucedidas de mais perguntas responsáveis por conduzir o indivíduo à verdade. Sob esse aspecto, a educação superior a distância no Brasil distancia-se do modelo proposto pela filosofia socrática, uma vez que aluno no EAD  se restringe, apenas, a assistir a aula e se afasta do verdadeiro próprosito da educação, o amor a sabedoria. Tendo isso em vista, é inadmissível que o o sistema educacional continue sendo conivente a essa degradação da educação.

Por conseguinte, cabe salientar, que a apassivação do aluno no ensino não-presencial está gerando uma defasagem na eficiência das habilidades adquiridas durante a graduação. Segundo dados disponilizados pelo Ministério da Cultura e Educação (MEC), 75% de quem se formou na modalidade supracitada apresentou nota inferior a média do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Mediante esse dado alarmante, é fundamental que medidas sejam tomadas, pois essa baixa produtividade origina um diplomado inapto para um mercado de trabalho competitivo, que devido a Terceira Revolução Industrial exige cada vez mais o saber científico em detrimento da mão de obra mecânica. Esse empasse, demonstra um descompromisso com o acesso a educação de qualidade.

Logo, é mister que o Governo Federal tome medidas cabíveis. Portanto, o MEC deve criar um projeto, por meio de verbas governamentais, que irá oferecer cursos de capacitação aos professores, realizados em instituições de ensino federais, voltados para a real inserção do aluno não-presencial no processo educativo com a finalidade de elevar a média desses estudantes no Enade. Ademais compele aos próprios alunos se conscientizarem acerca da importância de suas participações nas aulas e como isso melhora o desempenho. Somente assim, será possível utilizar os meios de comunicações oriundos da Revolução-Técnico-Científico- Informacional para uma educação democrática.