Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 06/11/2020
O sociólogo Martin Heidegger alertou que o pensamento computacional tornar-se-ia uma forma prevalente de pensar. De fato, nota-se a efusão desse cenário em diversas áreas do conhecimento, como, por exemplo, no campo da educação. Nesse sentido, ao analisar o debate sobre o ensino superior a distância no Brasil, produto da conjuntura supracitada, observa-se não só a ausência do professor de maneira presencial, mas também a falta de efetivação da Constituição, como ferramentas que fomentam o questionamento acerca da qualidade de tal ensino.
A princípio, o professor Paulo Freire explicitou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, ao observar que os estudantes formados pela rede de educação a distância possuem um rendimento inferior àqueles formados pelo sistema presencial, segundo os dados do ENADE, nota-se uma rede de ensino que apresenta-se distante da ideologia freireana e, portanto, com qualidade questionável. Nessa lógica, tal realidade explica-se à medida que a interação entre alunos e professores é mitigada e, consequentemente, o estudante possui dificuldade em desenvolver uma tomada de consciência essencial para seu desenvolvimento, dado que o mestre possui tal papel, segundo Freire. Dessa maneira, verifica-se que ausência do educador, de forma presencial, é uma questão que tende a desqualificar o ensino virtual.
Outrossim, a Constituição Federal evidencia que é dever do Estado garantir uma educação de qualidade a todos. Entretanto, percebe-se um outro cenário: a falta de políticas públicas, com o fito de dirimir a falta de qualidade no ensino superior a distância, seja pela presença tímida do professor no processo- como já explanado-, seja pela falta de agendas parlamentares com a finalidade de solucionar tal emblema. Nessa lógica, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que a sociedade, apesar de ser avançada teoricamente, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se a dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual.
Logo, infere-se que a qualidade da rede educacional a distância é um assunto relevante e carece de solução. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo, mediante debate com o Ministério da Educação, realize uma reforma educacional em instituições virtuais, a fim de melhorar a formação dos alunos. Posto isto, é essencial que tal ação interventiva foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que as ONGs, aliadas à mídia, desenvolvam campanhas publicitárias- por meio de depoimentos de cientistas sociais-, que expliquem a importância de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar a Constituição. Dessa forma, obter-se-á um pensamento computacional, como supôs Heidegger, de forma mais harmônica.