Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 07/11/2020

Os primeiros modelos educacionais surgiram com os Sofistas, na Grécia antiga, no qual filósofos viajavam levando seu conhecimento e trocando-o por dinheiro. Desse período histórico até a contemporaneidade, surgiram muitas outras formas de organização na passagem de conhecimento, sendo a mais atual chama de ensino a distância (EAD). Tal modelo é mais empregado na graduação superior, e consiste basicamente em aulas transmitidas via internet, sem a necessidade da presença física do aluno na instituição de ensino. Entretanto, muitos debates estão acontecendo devido à essa popularização, comparando as vantagens, como o fácil acesso, à  qualidade de um tradicional ensino presencial.

Em primeiro momento, é importante ressaltar que estamos vivendo no modelo técnico-cientifico-informacional, segundo o geógrafo Milton Santos, quando a informação e o avanço científico são um dos principais fatores que determinam o avanço de um país. Sendo assim, a qualificação da mão de obra se tornou fundamental, aumentando cada vez mais a busca por cursos de graduação e as opções EAD são uma forma de baratear os custos de um diploma universitário, possibilitando uma maior democratização no acesso à educação. Além disso, um ponto muito interessante é o de ter horários flexíveis, pois geralmente as aulas são gravadas e ficam disponíveis para os alunos na plataforma digital, sendo esse também um grande atrativo.

Entretanto, assim como a popularização das linhas telefônicas no Brasil, a qualidade do serviço não acompanha a sua abrangência. Pesquisas realizadas pelo Ministério da educação (MEC) mostram que o desempenho de graduados formados em modalidade presencial foi superior aos que tiraram seu diploma EAD. Infelizmente, esse é o único meio que boa parcela da população têm de conseguir uma faculdade, sendo esta a representação da possibilidade de melhorar a situação socioeconômica no seu núcleo familiar, em outras palavras, um sonho.

Em suma, pode-se destacar pontos positivos da popularização do ensino a distância, como o fácil acesso e a flexibilidade, e pontos negativos, como a deficiência na qualidade dos profissionais formados. Para superar esses desafios e elevar o nível de escolarização do país, cabe ao MEC, por meio de mudanças na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, exigir das universidades critérios mais rigorosos para a conquista de um certificado EAD. Tal fato se justifica pela clara ineficiência da legislação vigente, que, uma vez consertada, garantirá a uniformização da qualidade de ensino superior do Brasil.