Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 10/11/2020

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário do debate sobre a qualidade de ensino superior a distância no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento da dificuldade em adequar-se, além do preconceito enraizado no território brasileiro. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que o escritor austríaco, Stefan Zweig, afirmou em sua obra literária, do século XX, que o Brasil era um país ou futuro, ou seja, grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser efetivadas. De maneira análoga, o ensino a distância (EAD), atrelado à internet, tornou-se realidade na nação; entretanto, tal mecanismo traz uma ambiguidade: do mesmo modo em que permite uma flexibilização de estudos e horários, também é responsável pela dificuldade de adaptação a ele. Isto posto, a raiz dessa problemática vem desde o primórdios da educação, onde o aluno é condicionado a uma postura passiva dentro do ambiente escolar, com rotinas e horários já pré-estabelecidos pela instituição de ensino e um consumo de informações a aprendizados contrária à proatividade, acarretando na ausência de independência do estudante e acentuando a problemática.

Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. À vista disso, possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual panorama do preconceito frente ao EAD é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Tal prejulgamento vem da falta de interesse e, até mesmo, da escassa informação da população sobre o método de ensino, o que promove a disseminação de prenoções errôneas vinculadas à qualidade dos cursos ministrados devido à flexibilização dos mesmos, prerrogativa errônea que é desmitificada, por exemplo, pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), que atribui, muitas vezes, notas elevadas à várias instituições adeptas do EAD.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, urge que a sociedade procure meios de se tornar autodidata, por intermédio de cursos online, a fim de se desprender da dependência de terceiros, para se tornar o mediador de suas responsabilidades. Além do mais, é necessário que a mídia, por meio de propagandas televisivas, difunda as instituições com alta qualidade de ensino superior a distância, com o objetivo de desmitificar conceitos equivocados. Por conseguinte, construir-se-á uma educação cada vez mais eficiente, pois como alegou Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.