Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Segundo o inventor Steve Jobs, a tecnologia tem o poder de mudar o mundo. Desse modo, a educação, como um dos grandes pilares da nação – junto com economia, política etc. –, é moldada diariamente pelas novas ferramentas tecnológicas e sociedades em constante mudança. Com isso, o ensino superior no Brasil foi impactado pela modalidade à distância e sua qualidade deve ser discutida, a fim de analisar suas dificuldades e benefícios.

A princípio, de acordo com Charles Darwin, o sucesso tende a ser da espécie mais adaptada ao meio. Nesse sentido, apesar do biólogo inglês referir-se aos ecossistemas e à seleção natural, o ambiente artificial construído pela humanidade não diverge em grande escala, uma vez que o principal determinante para o sucesso de alunos e professores no ensino à distância (ou EAD) é a adaptação. Isto é, esse sistema impõe limites, como deficiência na interação entre alunos e professores, necessidade de ter aparelhos digitais, acesso a uma boa internet etc., porém, com o preparo dos corpos discente e docente e da instituição, essas dificuldades poderão ser ultrapassadas. Logo, investimentos no EAD significam uma estratégia a longo prazo, ao aumentar a qualidade desse sistema ofertado, o qual pode ser explorado e aproveitado de diversas formas, como na modalidade híbrida (virtual e presencial), diferentes abordagens nas aulas, uso de novas ferramentas, entre outras.

Além disso, o autor de ficção-científica Philip K. Dick escreve em seu conto “Autofac” que o futuro é digital. Dessa maneira, o desenvolvimento do ensino superior à distância no Brasil confirma a ideia do escritor americano, uma vez que a transição parcial ou integral, a depender dos cursos e disciplinas, do presencial ao virtual é o caminho natural a ser seguido, proporcionado pelos avanços tecnológicos. Com isso, a boa qualidade do EAD possibilita a conquista de benefícios consequentes do uso das plataformas digitais, como economia de tempo e dinheiro, o ganho de praticidade, a superação de empecilhos de precárias infraestruturas de universidades brasileiras pelos deficientes físicos, maior possibilidade de acesso ao ensino etc. Entretanto, esses e outro pontos só poderão ser alcançados se houver sido consolidada a base preparatória necessária.

Portanto, é dever do Ministério da Educação atualizar e preparar as instituições de ensino superior às novas normalidades da nação, por meio da capacitação dos corpos docente e discente – como treinamentos de como estudar e ministrar aulas no EAD, acompanhamentos de especialistas nessa tecnologia para auxiliar a produtividade dos alunos e professores etc. –, além de destiná-las incentivos financeiros para essa área, a fim de criar uma base sólida e bem adaptada para aproveitar os benefícios do ensino à distância. Dessa forma, será possível garantir a boa qualidade do EAD no Brasil.