Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Segundo Steve Jobs, a tecnologia move o mundo. Sob tal ótica, no Brasil, os avanços das tecnologias de comunicação e informação têm mobilizado a expansão do ensino a distância na formação superior. No entanto, apesar dessa modalidade oferecer flexibilidade ao estudante, a carência de capacitação docente e de ferramentas tecnológicas e estruturais são embargos à qualidade do EAD.

De acordo com Paulo Freire, sem a educação não é possível haver mudança na sociedade. Nessa lógica, ao mesmo tempo que o ensino a distância apresenta novos paradigmas para a educação brasileira, evidencia a necessidade de uma formação específica e contínua do corpo docente para atender às demandas e realidade intrínsecas ao ambiente virtual. Dessa forma, sem o desenvolvimento de habilidades pedagógicas que visem transpor a sala de aula para a tela do aparelho eletrônico de cada aluno, o processo de aprendizagem fica comprometido e, consequentemente, o avanço da educação também.

Outrossim, é válido ressaltar que, conforme Leonardo Da Vinci, a experimentação é a mãe de todo conhecimento. De maneira análoga, para que o EAD possa ser efetivo e formar as aptidões necessárias a cada profissão, é imprescindível que as plataformas digitais ofereçam mecanismos educativos que preparem o aluno para a vivência profissional, como espaços para tutorias, biblioteca virtual, exercícios, apoio pedagógico, aulas ao vivo, metodologias ativas e trabalhos colaborativos. Nesse sentido, esses recursos garantem a qualidade do ensino ofertado e rompem a rigidez do ensino tradicional.

Fica clara, portanto, a importância do aprendizado para os professores inseridos nesse cenário aliado a uma estrutura tecnológica compatível com a demanda da educação a distância. Logo, a fim de que essa modalidade seja bem qualificada, faz-se necessário que o Ministério da Educação instaure, na formação superior, disciplinas preparatórias sobre o uso do meio digital voltado ao ensino, como também programas de mestrado e doutorado, por meio de políticas públicas. Além disso, o Governo pode definir um modelo básico de plataforma para as instituições que ofertam o EAD. Enfim, a partir dessas ações, a tecnologia poderá mover a educação e o mundo.