Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 06/11/2020

O Ensino à Distância (EAD), cuja origem é nos Estados Unidos, é caracterizado pela ausência de contato físico entre professores e alunos. Os primeiros cursos neste modelo eram feitos por meio de correspondência e, desde então, ocorreram mudanças, pois, atualmente, o principal meio utilizado para esse tipo de ensino é via internet. Diante disso, o EAD colabora com as disparidades sociais, além de diminuir a qualidade dos cursos profissionalizantes.

Em primeira análise, a modalidade de Ensino à Distância favorece a desigualdade social, haja vista que esse tipo de ensino necessita de acesso à internet, além do uso de celulares ou computadores. Entretanto, no Brasil, regiões afastadas dos centros urbanos carecem de infraestrutura, como saneamento básico, luz elétrica e, sobretudo, sofrem com a falta do acesso à internet, como é o caso de 30% da população brasileira, de acordo com pesquisa TIC Domicílios de 2018. Posto isso, percebe-se que uma parcela da população é excluída do acesso à tal sistema de ensino.

Ademais, a qualidade dos cursos à distância é inferior à dos cursos presenciais. De acordo com o  Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2017, realizado com graduandos, os cursos presenciais obtiveram conceito máximo, enquanto o ensino à distância obteve 2,4%. Embora o número de adeptos a esse tipo de ensino tenha aumentado, como dizem os dados levantados pelo Ministério da Educação, uma vez que, de 843 mil ingressantes em 2016, esse número subiu para 1,073 milhão em 2017, a qualidade do Ensino à Distância é baixa, caso comparada à do ensino presencial, o que demonstra que, cada vez mais, os profissionais serão menos capacitados.

Portanto, o sistema EAD necessita de algumas mudanças para que seja implantado com sucesso. Sendo assim, é necessário que o Governo disponibilize projetos e campanhas, por meio de decretos, nas quais haja a doação de verba para a implantação de infraestrutura básica e internet às pessoas de regiões necessitadas, assim, todos terão condições de participar desse ensino. Além disso, o MEC deverá ser mais rigoroso às necessidades para que haja o reconhecimento das escolas que estão aptas à tal sistema, por exemplo, as escolas deverão passar, a cada três meses, por fiscalização na qualidade do ensino. Dessa forma, a qualidade do EAD aumentará, e mais pessoas poderão ingressar nesse modelo.