Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 06/11/2020

A Revolução Técnico-científica Informacional - consolidada no final do século XX - gerou mudanças significativas no panorama tecnológico mundial, sobretudo, no âmbito comunicativo. Nesse contexto, a evolução das tecnologias da informação e das comunicações (TICs) moldou as perspectivas educacionais contemporâneas, devido à ascensão do ensino a distância (EAD) em diversas instituições. Dessarte, faz-se imprescindível analisar as circunstâncias dessa modalidade no ensino superior, bem como os fatores que interferem em sua qualidade, tais como a desigualdade socioeconômica e o baixo nível de engajamento dos discentes.

De início, é imperativo elucidar que a Carta Magna, promulgada em 1988, assegura o direito à educação qualitativa a todos os cidadãos. No entanto, essa prerrogativa faz-se pouco efetiva em metodologias de praxe, haja vista a carência de acessibilidade aos aparatos socioeducativos modernos, principalmente, por parte de grupos sociais menos favorecidos. Isso é comprovado por meio de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quais revelam que 25% da população não possui acesso à internet. Desse modo, as disparidades financeiras no território dificultam a plena integração de pessoas desfavorecidas no ensino virtual superior, porquanto muitos não conseguem participar de maneira eficaz da dinâmica, em razão da falta de recursos tecnológicos demandados.

Sob outro prisma, é válido averiguar que a ausência de uma atividade promissora nas instituições agrava a problemática em pauta. Por consequência, os piores desempenhos nas avaliações nacionais do Ministério da Educação (MEC) são relegados aos indivíduos que concluíram o ensino superior em modalidade não-presencial, segundo a pesquisa do Todos pela Educação. Nessa ótica, tal fenômeno patológico é fruto do escasso engajamento dos discentes nas aulas, o que vai de encontro com a perspectiva do educador Paulo Freire, que afirma que o verdadeiro aprendizado se consolida com a participação ativa dos alunos.

Em síntese, urge que providências sejam tomadas para mitigar os entraves supracitados. Portanto, compete ao MEC, mediante parcerias público-privadas, criar um programa nacional de distribuição de internet de fibra ótica aos discentes menos equipados, especialmente, oriundos de locais carentes em infraestrutura. Para tanto, as empresas auxiliadoras fornecerão acesso de modo gratuito, em troca de redução tributária ou parcial isenção fiscal, com a finalidade de reduzir as díspares situações socioeconômicas dos alunos e, por fim, integrá-los ao EAD com plenitude.  Ademais, cabe ao mesmo órgão encorajar as instituições a promoverem um ensino mais participativo, a fim de melhorar os índices avaliativos nas provas nacionais e, assim, reverter a conjuntura educativa hodierna.