Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 07/11/2020
Com a pandemia do novo Coronavírus, o ensino a distância tornou-se realidade para muitos alunos e professores que nunca haviam tido a experiência com uma sala de aula virtual antes. Tais circunstâncias deixaram claro que muitas pessoas não conseguem acompanhar e ter o mesmo desempenho que teriam no ensino presencial, colocando em dúvida a qualidade do EAD no Brasil. Diante disso, fica clara a necessidade de mediadas que busquem fiscalizar e uniformizar o ensino superior a distância brasileiro, a fim de se tornar referência como em outros países.
A priori, o Brasil é o 85° país em qualidade de internet segundo dados de um levantamento feito pela Microsoft, isto é, a péssima condição da rede brasileira é um dos principais fatores que corrobora para a má qualidade do ensino a distância no Brasil. Segundo uma pesquisa publicada no portal de notícias G1, oito em cada dez alunos do EAD entrevistados dizem ter constantemente dificuldade com a conexão quando precisam assistir aulas ou fazer atividades, tendo que muitas vezes postergar essas tarefas. Isso sintetiza que é preciso uma mudança nesse quadro, visto que a falta de uma boa estrutura de rede de dados colabora para esse cenário.
Outrossim, a crescente demanda pelo ensino a distância faz com que muitos dos futuros discentes não se atentem a qualidade da instituição, ou até mesmo se esta é validade pelo MEC para desempenhar essa modalidade de ensino. Exemplo disso, o Ministério da Educação cancelou em 2018 mais de 65 mil diplomas emitidos pela Universidade Iguaçu(Unig), devido à comprovação de fraudes e indícios de uso da instituição como meio de formação para outras universidades que não possuíam autorização para o ensino EAD. Com isso, torna-se evidente que é preciso uma fiscalização preventiva para que não ocorra o prejuízo coletivo de alunos como ocorrido por essa faculdade.
Portanto, torna-se clara a necessidade de medidas que busquem a qualidade do ensino superior a distância no Brasil. Para isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve buscar parceria com o setor privado nacional e estrangeiro, com o intuito de uma melhora na qualidade da rede de internet brasileira, trazendo melhores linhas de transmissões, servidores de ponta, melhores modens de comunicação e principalmente que disponha de valores mais acessíveis para a parcela da população mais carente. Somado a isso, o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério Público, podem desenvolver forças tarefas com o objetivo de fiscalizar as instituições EAD, fechando aquelas que não possuem autorização de atuação a fim de evitar situações como ocorrida com a Unig. Somente assim será possível uma melhora nesse quadro social tão preocupante, pois já dizia o educador Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.