Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 09/11/2020

A Terceira Revolução Industrial possibilitou, no fim do século XX, a transição da era industrial para a era digital, uma conjuntura que permitiu a disseminação dos meios tecnológicos na sociedade. Á luz disso, tal cenário proporcional  a expansão do ensino superior a distância no Brasil. No entanto, ao analisar que o crescimento das EADs no país nem sempre está relacionado com a qualidade da educação, percebe-se que as causas para essa conjuntura  estão condicionadas com a omissão do Estado, mas também com o individualismo no tecido social.

A princípio, de acordo com o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta no enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Sob tal prisma, nota-se a postura do Estado, haja vista que apesar desse órgão declarar que a educação de qualidade é um direito do cidadão, percebe-se que o próprio é negligente na efetivação de tal afirmativa. Prova disso é sua permissividade com um ensino a distância que não acarreta no desenvolvimento do cidadão, como é detectado nos dados do ENADE- Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes-, o qual demonstrou o desempenho inferior dos alunos do EAD em comparação à educação presencial. Consoante a isso, um Governo que negligencia a ética em suas ações faz com que o basilar seja negado a sua população.

Ademais, segundo o filósofo Zgymunt Bauman, a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria partilhada para a sobrevivência do eu. Nesse sentido, nota-se que o individualismo tece o comportamento do homem hodierno e, consequentemente, viabiliza a  construção de uma civilização que se silencia diante dos problemas sociais, dado que a sua felicidade centra-se apenas em si mesmo. Desarte, nota-se que, devido a essa mentalidade, os cidadãos, em suma, que desfrutam de uma edu-cação superior, a qual fomenta o seu crescimento pessoal não se mobilizam em prol da democratização de um ensino de qualidade. Assim, percebe-se que a realidade das EADs  permanecerá na sociedade.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão traçar políticas que melhorem a conjuntura do ensino a distância no Brasil. Nesse viés, tais programas se estruturarão da seguinte forma, o Ministério da Educação criará um plano nacional direcionado às EADs que tiveram baixos desempenhos, em que, por meio de  palestras, auxiliarão o corpo docente dessas instituições a promover aulas que estimulam o desenvolvimento dos alunos. Outrossim, a mídia, por intermédio de comerciais que utilizarão frases de Z. Baunam sobre como o individualismo impera nas relações interpessoais, a fim de sensibilizar o telespectador a mudar tal postura e adotar o altruísmo. Diante disso, o corpo social conseguirá desfrutar dos benefícios oriundos da Terceira Revolução Industrial.