Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 08/11/2020

Em meados do século XX, a Globalização proporcionou, a partir do advento de novas tecnologias , como a internet, o encurtamento da distância entre as pessoas. Essa mudança na conjuntura social, também transformou o âmbito educacional, haja vista a difusão da modalidade do Ensino à Distância (EaD) no nível superior do Brasil. Nesse cenário , apesar da proposta de educação de qualidade , o EaD , na graduação, apresenta índices expressivamente menores de eficácia, quando comparado ao presencial. Assim, torna-se necessária a avaliação das causas dessa problemática.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que os ambientes caseiros de grande parcela da população brasileira não são propícios ao estudo. De acordo com a Organização das Nações Unidas , o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Sob esse viés, infere-se que muitos estudantes não têm a infraestrutura necessária - como ,por exemplo, ambiente com clima agradável ou espaço sem ruídos- para destinar a atenção que um momento de estudo eficaz exige. Desse modo,o rendimento do aluno é passível de ser prejudicado, situação que pode estar refletindo no baixo rendimento do corpo estudantil da modalidade EaD frente ao do ensino tradicional.

Ademais, é imperioso considerar que a experiência acadêmica universitária vai além do conteúdo programático do curso. Isso porque as faculdades são ambientes com indivíduos plurais , tanto no corpo docente quanto no discente. Dessa forma, partindo-se da premissa Aristotélica de que o ser humano é um ser social, o contato do estudante com esse universo, pode contribuir de modo relevante no seu envolvimento com as atividades curriculares. Sob esse aspecto , nota-se que as habilidades dos alunos do EaD,devido à falta de contato entre si, poderiam ser aprimoradas, aumentando, por consequência ,seus rendimentos.

Portanto , medidas necessitam ser tomadas, a fim de garantir a excelência do ensino superior no Brasil. Para isso , é necessário que o MEC- órgão responsável por implementar políticas educacionais no país- aumente o número de vagas nos cursos de modalidade presencial nas universidades, inclusive no turno noturno-que tem mais adesão dos alunos que exercem atividades remuneradas durante o dia- no fito desses estudantes terem mais opções viáveis além do EaD. Tal ação deve ser realizada mediante a destinação de maior quantitativo de verba para as faculdades públicas, ao redor do Estado, conseguirem comportar mais alunos. Desse modo, será possível garantir a experiência de ensino-aprendizagem completa e necessária ao graduando e , por conseguinte a melhor qualidade do processo.