Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 10/11/2020

“Educação não muda o mundo, ela muda as pessoas. Pessoas mudam o mundo”. Tal frase foi promulgada pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire, e demonstra precisamente como uma instrução de qualidade tem papel fundamental na sociedade. Entretanto, se analisado a qualidade do ensino superior a distância no Brasil (EAD), percebe-se uma contraposição dessa ideia, o que acontece principalmente pela falta de estrutura e acompanhamento pedagógico desses modelos de ensino.

De início, é válido contextualizar a qualidade do ensino a distância. De acordo com avaliações do Ministério da Educação, 75% dos alunos formados nessa modalidade estão abaixo da pontuação 50 no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. Tais dados se mostram extremamente preocupantes, pois demonstram que esses futuros profissionais não possuem capacidade para exercer suas respectivas áreas de atuação. Isso resulta em um mercado cada vez mais precário, visto que mesmo diante da má qualidade, o ensino a distância cresce gradativamente, pois, muitas pessoas o usam por não terem dinheiro e nem tempo para optar por outras alternativas e apostam em certos cursos online que prometem excelência por preços baixos e pouca diligência dos alunos. Essa indubitável enganação é extremamente nociva para o contexto do mercado globalizado atual que presa pela competência e conhecimento, pois deixa empresas receosas de contratar os alunos do EAD, o que gera desemprego.

Ademais, cabe elucidar os principais problemas do ensino superior a distância. Pesquisas da consultora OpenSignal, revelam que o Brasil é o 50° país no ranking de velocidade de internet. Esse dado demonstra que a principal ferramenta para o EAD é majoritariamente precária. Além disso, existe a parte pedagógica e social, pouca desenvolvida pela maioria dos cursos online. Por conta da distância, é difícil para professores saberem se seus alunos estão prestando atenção, entendendo o conteúdo ou motivados, além de que a falta de convívio social pode ocasionar desânimo nos estudantes, tornando o processo de aprendizagem árduo. Esse ambiente de dificuldades, além de comprometer a aprendizagem, pode causar a evasão de quem opta pelo EAD, e como é afirmado pelo geógrafo Milton Santos, o mercado globalizado é desumano com aqueles sem competência.

Assim sendo, é necessário soluções para a problemática. Uma das atitudes pode ser tomada pelo Ministério das Comunicações, com leis mais rígidas que garantam que provedores entreguem uma internet de qualidade para os brasileiros, para que o EAD tenha condições mínimas de funcionamento. Também é cabível a adoção de práticas que incentivem a socialização entre os alunos dos cursos online, como reuniões em grupo com psicólogos que estimulam e compreendam os estudantes, para motivar a aprendizagem e ainda facilitar para que professores a distância entendam seus alunos.