Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 11/11/2020
A partir da Quarta Revolução Industrial, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão do debate sobre o ensino superior a distância no Brasil. Dessa forma, observa-se que o modelo não-presencial de estudos reflete um cenário desafiador, seja em virtude da dificuldade de acesso à internet por uma considerável parte da população, seja pela baixa qualidade de ensino que muitas instituições oferecem.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a dificuldade de acesso à internet por uma considerável parte da população como impulsionador do impasse. De acordo com o último censo do IBGE, 2 em cada 10 domicílios do país ainda não possuem acesso à internet. Nessa perspectiva, verifica-se um grave problema que persiste no país, em que muitas famílias ficam à margem da sociedade no que tange a inclusão digital, o que gera, como consequência, desigualdade de acesso à informação e ensino na sociedade, corroborando para a perpetuação do Brasil como um dos países mais desiguais do mundo. Portanto, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nas condições socioeconômicas com o intuito de garantir a plena integração da sociedade no ensino superior virtual.
Vale ressaltar, também, a baixa qualidade de ensino ofertada por muitas instituições de ensino on-line. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica que busca assegurar a educação de qualidade como direito do cidadão. Contudo, segundo levantamentos feitos pelo Ministério da Educação, apenas 25% dos alunos matriculados nas redes de ensino virtuais atingem a nota de desempenho adequada para o mercado de trabalho, o que evidencia a negligência governamental em cobrar das instituições públicas e privadas diretrizes que garantam infraestrutura tecnológica e docentes capacitados. Assim sendo, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere a garantir um ensino de qualidade para os estudantes de ensino superior a distância, fazendo-se mister a mudança urgente do quadro atual de ensino on-line no Brasil.
Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim, é preciso que o MEC, mediante parceria público-privada, criem um programa nacional de integração digital, por meio da distribuição de redes de fibra óptica aos mais necessitados em troca de isenção tributária, com o objetivo de reduzir a disparidade socioeconômica do país e a plena integração dos mais carentes no ensino EAD . Tais campanhas devem refletir, com efeito, em uma melhora significativa do quadro educacional do país. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Bevouir: ‘‘Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos’’.