Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 09/11/2020

A obra ‘‘O Menino Que Descobriu o Vento’’, que conta a história real de um garoto que, por meio de poucos livros, conseguiu salvar o seu vilarejo de uma grande crise de fome, deixa evidente que a educação tem um papel importantíssimo nas transformações sociais. Nesse sentido, o ensino superior a distância (EAD) no Brasil surgiu como uma alternativa de levar a educação para um número cada vez maior de pessoas, no entanto, mesmo sendo algo muito positivo, a qualidade do EAD é constantemente questionada. Isso acontece porque, não só há uma falta de adaptação das faculdades com o novo público trazido por esse tipo de ensino, como também há um processo de desorganização.

De início, é válido ressaltar que o principal problema do ensino superior não presencial não se encontra na falta de qualidade da informação passada, mas sim na falta de adaptação das universidades ao público-alvo. Nesse contexto, segundo uma pesquisa elaborada pelo Educa Insights 87% das pessoas que cursam o EAD já estão trabalhando, ou seja, é incoerente tentar aplicar os mesmos métodos do ensino presencial, visto que esses indivíduos já possuem diversas responsabilidades e preocupações. Com isso, fica claro que a utilização do método tradicional -aulas, atividades, provas e notas - tem dificultado a adaptação das pessoas e, consequentemente, tem contribuído para a diminuição da qualidade do ensino superior a distância.

Paralelamente, é importante destacar que o ensino superior não presencial apresenta um grande problema de negligência educacional, uma vez que a carência de aulas físicas e práticas, além de minimizar a sociabilidade, faz com que os alunos se sintam distantes de sua profissão. Outrossim, é inegável que a flexibilidade na grade horária do EAD, apesar de ser muito útil para a adaptação, muitas vezes, exige que os estudantes tenham uma disciplina inalcançável. Sendo assim, fica nítido que o desinteresse em aprender de modo efetivo no ensino a distância é consequência de uma má organização das faculdades e também dos alunos.

Em virtude dos fatos mencionados, é plausível dizer que o ensino superior a distância no Brasil é algo muito positivo para os avanços sociais, no entanto ele ainda apresenta alguns impasses que precisam ser minimizados. Dessa forma, para diminuir os problemas de adaptação e de socialização é necessário que o Ministério da Educação (MEC) exija que todas as faculdades que forneçam EAD passem a ter uma sala de interação virtual, na qual uma vez por semana será discutido de forma descontraída um tema apresentado durantes as aulas. Além disso, o MEC deve requisitar que essas universidades possuam uma pessoa que auxiliará os alunos na organização da grade horária. Assim, cada vez mais existirá ‘‘meninos que descobrem o vento’’.